Inflação e custo de vida são os pontos críticos dos eleitores dos EUA, que vão às urnas dentro de seis meses, quando estará em jogo o controlo do Congresso, actualmente nas mãos do Partido Republicano, cujo líder, o Presidente Donald Trump, tem a sua taxa de aprovação pelas ruas da amargura.

A mais recente sondagem, divulgada neste domingo pelo jornal inglês Financial Times (FT), confirma o que anteriores estudos de opinião têm indicado: a popularidade entre eleitores dos EUA nunca foi tão baixa, nem no primeiro mandato. Uma guerra impopular contra o Irão e os preços crescentes dos bens e da energia levaram 58% dos inquiridos na sondagem do FT a declarar que reprovam “fortemente” ou “de alguma maneira” a forma como a equipa de Donald Trump tem lidado com a inflação e com a economia.

No mesmo inquérito de opinião, realizado pela empresa Focaldata, 51% deram nota negativa à gestão económica e do mercado de trabalho e uma fatia maior de 55% disse que Trump prejudicou a economia dos Estados Unidos com o seu programa de taxas aduaneiras.

Com o argumento de que o país enfrenta uma emergência económica, Donald Trump subiu as taxas aduaneiras no primeiro ano deste segundo mandato, que vai ser posto à prova em Novembro, quando os EUA forem às urnas escolher quem os deve representar nas duas câmaras do Congresso.

No acto eleitoral, agendado para 3 de Novembro, estarão em causa todos os 435 lugares da Câmara dos Representantes e 35 lugares no Senado. No mesmo dia, os eleitores de 36 estados dirão quem querem para governador, havendo ainda em jogo milhares de lugares de representação política na administração estatal e local.

O foco nestas eleições estará, no entanto, centrado nas duas câmaras do Congresso, que foi posto de parte por Trump na questão das taxas aduaneiras, uma decisão em que acabou derrotado pelo Supremo Tribunal, apesar de este ter uma maioria de juízes mais próxima dos ideais do partido de Trump.

Serão eleições intercalares, porque acontecem sensivelmente a meio deste segundo mandato de quatro anos, para o qual a antiga estrela de televisão e homem de negócios foi empossado em Janeiro de 2025. Para os críticos do movimento Make America Great Again (MAGA), fundado por Trump, é a grande oportunidade de travar uma política que, de acordo com as sondagens, está a ter consequências que desagradam à maioria do eleitorado, principalmente no campo económico.

A subida do preço dos combustíveis, num país produtor de petróleo e habituado a conduzir carros grandes com motores gastadores, é um exemplo dessas consequências que enervam famílias e empresas, que já tiveram de pagar mais por produtos importados por causa das taxas de Trump, entretanto declaradas ilegais pelo Supremo.

Como recorda o FT, “Trump tem insistido nos últimos dias que o preço da gasolina estava ‘bem em baixo’. Porém, o preço médio na última semana foi de 4,60 dólares por galão EUA [cerca de 1,05 euros por litro], quase 50% mais do que antes do início da guerra” dos EUA e de Israel contra o Irão.

Embora não dependa da energia produzida no Médio Oriente, onde foram atacados campos de gás, refinarias e infra-estruturas de transporte, a economia dos EUA não escapa à instabilidade que a Operação Fúria Épica, desencadeada no final de Fevereiro, introduziu na produção e distribuição de combustíveis fósseis.

O preço do crude disparou sobretudo por causa do bloqueio do estreito de Ormuz, com centenas de navios em paragem forçada e impedidos de assegurar o abastecimento de outras regiões do globo. Na sondagem do FT, quase 54% chumbam o papel da Casa Branca na gestão desse conflito, cerca de 20% dos eleitores republicanos são da mesma opinião e apenas um terço dos inquiridos deram nota positiva a Trump nessa matéria.

Actualmente, os republicanos controlam totalmente o Congresso. O Partido Democrata espreita a oportunidade de pôr fim a essa hegemonia, com uma vitória nas intercalares de Novembro próximo. Mais de metade (54%) dos inquiridos pela Focaldata consideram que Trump não está à altura da sua função e entre os eleitores que se declaram independentes, mais de 58% manifestam opiniões desfavoráveis a Trump.

Ainda na mesma sondagem, o Partido Democrata surge com uma vantagem geral de oito pontos percentuais. A empresa desta sondagem tem sede em Londres, realizou o trabalho de campo entre 1 e 5 de Maio, tendo uma amostra de 3167 eleitores registados. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais.