“É vergonhoso” e pode “afastar investimento”. A proposta para taxar segundas casas de luxo em Nova Iorque abriu um novo confronto entre a ala progressista da cidade e parte das elites financeiras e imobiliárias.

A proposta do presidente da câmara de New York City, Zohran Mamdani, para criar um imposto sobre segundas casas de luxo está a provocar forte reação entre milionários, investidores e proprietários imobiliários da cidade.

Segundo o Financial Times, a medida poderá atingir cerca de 13 mil propriedades avaliadas em mais de cinco milhões de dólares e gerar aproximadamente 500 milhões de dólares por ano em receitas fiscais. O imposto deverá aplicar-se sobretudo a apartamentos de elevado valor usados apenas ocasionalmente pelos proprietários.

Alguns empresários e consultores ouvidos pelo FT alertam para um eventual impacto negativo na atratividade económica da cidade e acusam a nova liderança política de agravar a pressão sobre riqueza e investimento privado. Apesar da irritação entre setores financeiros e imobiliários, os dados disponíveis não mostram uma fuga significativa de residentes ricos de Nova Iorque.

Desde que tomou posse, em janeiro, Mamdani tem centrado a sua agenda política na crise da habitação em Nova Iorque, defendendo maior intervenção pública no mercado imobiliário e uma revisão da fiscalidade sobre património de elevado valor. O autarca democrata apresentou várias medidas de proteção de inquilinos e prometeu aumentar a oferta de habitação acessível.

O debate surge numa altura em que várias cidades norte-americanas discutem novas formas de taxar património imobiliário de elevado valor para responder à crise da habitação e financiar serviços públicos.