Irmã Ângela Coelho destaca seriedade do trabalho desenvolvido e aponta importância da «coerência» na Vida Consagrada

Foto: Inês Braga Sampaio/Renascença

Lisboa, 10 mai 2026 (Ecclesia) – A presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) defendeu um compromisso de prevenção face à crise dos abusos sexuais na Igreja, assumindo que qualquer novo caso deve ser visto como uma “tragédia”.

“Não podemos deixar acontecer estes casos outra vez, um só já será uma tragédia e um fracasso das nossas instituições”, disse a irmã Ângela Coelho, em entrevista conjunta à ECCLESIA e Renascença, emitida e publicada este domingo.

A responsável, eleita na última Assembleia Geral da CIRP, sublinhou que os Institutos Religiosos assumem a responsabilidade de agir na proteção de menores através da implementação de regras seguras e de exigentes medidas de capacitação.

“A prevenção passa pela formação contínua, que não podemos baixar os braços na formação, e também pelo fixar de procedimentos no nosso agir, nas nossas missões, nas nossas comunidades, nas pessoas com quem lidamos”, precisou.

A também líder da União das Conferências Europeias dos Superiores Maiores (UCESM) apontou a atual secularização europeia como uma janela de oportunidade para o testemunho exigido pelas novas gerações.

“A Vida Consagrada é chamada, precisamente, a isto, a não dar respostas a meio gás”, observou.

A resposta à “fé líquida” da sociedade atual passa, segundo a religiosa, pela capacidade de adaptação às realidades concretas.

Não podemos ceder à tentação de exprimir a nossa fé de forma líquida, ou seja, sem consistência, sem a força da coerência do nosso testemunho de vida e da nossa identidade, quem somos, mas por outro lado temos também de saber, diria, inculturar-nos, adaptar-nos às pessoas concretas e às sociedades a quem servimos, com muita ternura, com muita compaixão.”

A cooperação institucional entre as diferentes congregações e a Conferência Episcopal Portuguesa constituiu outro tema do encontro, com a dirigente a saudar a criação de uma recém-formada Comissão Mista.

“A colaboração entre as dioceses e a Vida Consagrada esteve sempre presente, sempre estará presente, mas eu penso que a opção desta comissão valoriza precisamente a comunhão”, apontou.

O primeiro aniversário do pontificado do Papa Leão XIV motivou também elogios da religiosa, que enalteceu a postura independente e frontal do pontífice perante os desafios diplomáticos globais.

“É extraordinária a liberdade deste homem, e ao mesmo tempo a simplicidade com que o faz”, declarou.

Na qualidade de vice-postuladora da causa de canonização da irmã Lúcia, a irmã Ângela Coelho deixou uma mensagem aos peregrinos que acorrem, por estes dias, à Cova da Iria, para evocar as Aparições do 13 de maio.

“Vivemos num momento de conflitos, como em 1917, e eu penso que os peregrinos podem encontrar em Nossa Senhora o que ela foi para Lúcia e para nós desde há cem anos. O seu coração é este refúgio, que nos dá esperança, que nos ilumina nas noites da história e desta noite da história que vivemos com a instabilidade, com a guerra”, concluiu.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)