França registou o primeiro caso de hantavírus, proveniente de um dos cinco passageiros gauleses retirados do MV Hondius, o navio de cruzeiro afectado por um surto deste vírus. A mulher já tinha apresentado sintomas a bordo do navio, com as autoridades a vigiarem agora 22 outras pessoas em risco de exposição ao vírus. Dos cinco passageiros franceses a bordo, quatro testaram negativo, mas vão ser agora submetidos a novos testes. Também os Estados Unidos registam agora um caso de hantavírus de um passageiro que desembarcou do navio, depois de se confirmar o resultado positivo do teste. No caso do norte-americano, a infecção é assintomática.
Continua a operação de desembarque do MV Hondius esta segunda-feira, depois de já terem sido retirados quase todos os passageiros durante o domingo. O barco, com uma parte da tripulação a bordo, seguirá depois para os Países Baixos, onde está registado o cruzeiro e de onde é o armador.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou até agora seis casos num total de oito suspeitos de infecção com hantavírus em pessoas que viajaram no barco. Três pessoas morreram.
Os passageiros norte-americanos serão levados primeiro para a Universidade de Nebraska, que possui uma instalação de quarentena financiada pelo Governo federal, para avaliar se estiveram em contacto próximo com pessoas sintomáticas e os níveis de risco de propagação do vírus.
“Um passageiro será transportado para a Unidade de Biocontenção do Nebraska após a chegada, enquanto os outros passageiros irão para a Unidade Nacional de Quarentena para avaliação e monitorização”, disse a porta-voz do Centro Médico de Nebraska, Kayla Thomas.
“O passageiro que irá para a Unidade de Biocontenção fez teste e o resultou foi positivo para o vírus, mas não apresenta sintomas”, acrescentou. Horas antes, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, indicou na rede social X que um dos cinco franceses retirados do MV Hondius e repatriados no domingo para França, apresentava sintomas de hantavírus.
“Ele apresentou sintomas no avião de repatriamento”, informou. “Estes cinco passageiros foram imediatamente colocados em isolamento rigoroso até nova ordem, estão a receber cuidados médicos e serão submetidos a testes e a um exame de saúde”, acrescentou.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 42 dias de quarentena para quem esteve no navio, mas cada país é livre de tomar uma decisão, disse no domingo o director-geral da agência da ONU.
Tedros Adhanom Ghebreyesus disse que a OMS já emitiu uma recomendação de 42 dias de quarentena, “com seguimento activo”, em casa ou numa unidade de saúde, para tripulantes e passageiros do MV Hondius após a saída do paquete. O navio viajava desde a Argentina, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim-de-semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infectados. A variante detectada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa. Os sintomas da infecção com hantavírus são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares.
Dependendo da estirpe, o hantavírus pode provocar uma infecção pulmonar ou renal. A OMS garante que o risco deste surto para a população em geral é baixo.