A petrolífera saudita Saudi Aramco obteve um lucro líquido de 122.008 milhões de riais (cerca de 27,4 mil milhões de euros ao câmbio actual) no primeiro trimestre, mais 25,1% do que os 97,5 mil milhões registados no mesmo período de 2025. Ajustado, e comparando com os dados revistos de há um ano, o lucro foi de 125,97 mil milhões de riais sauditas, o que compra com 99,7 mil milhões de riais em Março de 2025, um crescimento de 26,4%, anunciou este domingo a empresa em comunicado.
Num comunicado publicado na bolsa saudita, onde a Saudi Aramco tem disperso menos de 3% do capital social, a companhia maioritariamente detida pelo governo do reino da Arábia Saudita sublinhou que o aumento do lucro líquido se deve a vários factores, entre os quais se destaca a subida dos preços do petróleo devido à instabilidade geopolítica causada pelo conflito no Irão e pelo encerramento do estreito de Ormuz.
Apesar do quase encerramento do estreito, a Aramco conseguiu entregar petróleo aos mercados todos os dias graças ao oleoduto leste-oeste, que conecta as suas instalações energéticas no Golfo Pérsico aos terminais de exportação no Mar Vermelho.
A empresa indicou, diz a Lusa, que houve “um aumento significativo do escoamento através do oleoduto leste-oeste, para atingir a sua capacidade máxima de sete milhões de barris por dia no primeiro trimestre”.
A maior petrolífera do mundo valorizou a “resiliência e flexibilidade operacional” do seu negócio apesar da complicada situação geopolítica. O resultado é explicado, cita a Lusa, por “um aumento das receitas e outros produtos relacionados com as vendas, compensando parcialmente o aumento dos custos operacionais”, precisa o grupo, uma das maiores empresas do mundo em termos de capitalização de mercado.
A guerra contra o Irão, iniciada em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos da América (EUA) e por Israel, levou à reacção do Irão, em que se inclui o bloqueio do estreito de Ormuz por parte do governo de Teerão, por onde normalmente transita um quinto do comércio mundial de petróleo, provocando uma queda brusca no abastecimento e um aumento muito acentuado dos preços. De acordo com o Financial Times, o preço do Brent, crude do mar do Norte que é referência para as economias europeias, está 58% mais caro do que estava há um ano. Medido por contratos de entrega futura nos mercados internacionais, o barril valia, em média, cerca de 100 dólares em Março, contra 70 dólares antes do início do conflito, a 28 de Fevereiro passado, com picos de 120 dólares em algumas sessões desde aí.
A Saudi Aramco é a principal fonte de financiamento do programa de reformas Vision 2030, do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que visa preparar a Arábia Saudita, maior exportadora de crude do mundo, para a fase pós-petróleo.
Menos mil milhões de barris
Em declarações prestadas este domingo, o presidente executivo da Saudi Aramco fez o balanço da actividade entre Janeiro e Março deste ano, um período em que o conflito no Irão afectou directamente um mês inteiro de actividade.
“Reabrir rotas não é o mesmo que normalizar um mercado que foi privado de cerca de mil milhões de barris de petróleo”, após a guerra ter começado, afirmou Amin Nasser, em declarações à Reuters, acrescentando que anos de sub-investimento agravaram a pressão sobre as reservas globais, que já estão a níveis reduzidos.
“O nosso objectivo é simples: manter o fluxo de energia, mesmo quando o sistema está sob pressão», acrescentou Amin Nasser, nas declarações à agência noticiosa.