‘Noite Estrelada’ (1889), do pintor holandês Vincent Van Gogh. Foto: Divulgação

Vincent van Gogh não gostava de “A noite estrelada”, uma das pinturas mais conhecidas da história da arte. O quadro, hoje exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York, foi incluído pelo próprio artista em uma lista de obras que ele não considerava boas. Em carta enviada ao amigo Émile Bernard, no fim de novembro de 1889, ele definiu a tentativa como “um novo fracasso”.

A obra foi pintada durante a internação voluntária de Van Gogh no sanatório de Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França. O artista chegou ao local em 8 de maio de 1889, após episódios de crises nervosas e depois do caso em que mutilou parte da orelha em Arles. Cerca de seis semanas depois, começou a trabalhar na tela, usando observações, esboços e memória, já que não podia pintar dentro do quarto.

A insatisfação de Van Gogh vinha justamente da mistura entre realidade e imaginação. A vila retratada no quadro não era vista da janela do sanatório, e elementos como a “estrela da manhã”, associada a Vênus, foram incorporados a partir de observações feitas no período. O pintor morreu sem conhecer a fama que a obra alcançaria décadas depois, quando “A noite estrelada” se tornou uma das imagens mais célebres da arte ocidental.