O grupo de cibercrime LAPSUS$ voltou a estar no centro das atenções depois de terem surgido alegações de um novo ataque à Vodafone. A informação começou a circular em plataformas de monitorização da dark web e em contas especializadas em cibersegurança, como a Dark Web Informer.

Ilustração ataque à Vodafone pelo grupo de hackers LAPSUS$

Segundo as publicações divulgadas, o grupo afirma ter conseguido acesso à infraestrutura interna da operadora e terá publicado dados após alegadas negociações falhadas com a empresa.

Hackers falam em “infraestrutura completa” e repositórios GitHub

As imagens partilhadas pelos atacantes mostram mensagens típicas de grupos de extorsão digital, incluindo frases como:

  • “Negotiation failed – data leaked”
  • “Full infrastructure & GitHub tree”
  • “Public release completed”

Isto sugere que o grupo estará a alegar acesso a:

  •  ⁠sistemas internos
  •  ⁠documentação técnica
  •  ⁠repositórios GitHub privados
  •  ⁠scripts e configurações internas
  •  ⁠possível código-fonte

Contudo, até ao momento, não existe confirmação independente da autenticidade dos dados nem da dimensão real do alegado ataque.

Vodafone ainda não confirmou intrusão

Até agora, não é conhecido qualquer comunicado oficial detalhado da Vodafone a confirmar uma nova violação de sistemas associada ao LAPSUS$.

Na prática, o que existe publicamente são:

  •  ⁠alegações publicadas pelos atacantes
  •  ⁠capturas do alegado “data leak site”
  •  ⁠referências em plataformas de threat intelligence

No mundo da cibersegurança, este tipo de situações exige cautela. Muitos grupos criminosos exageram o impacto dos ataques ou utilizam nomes de grandes empresas para ganhar notoriedade e pressionar vítimas a pagar resgates.

Quem é o grupo LAPSUS$?

O LAPSUS$ tornou-se um dos grupos de hackers mais mediáticos dos últimos anos devido aos ataques contra gigantes tecnológicas e empresas globais.

Entre os alvos já associados ao grupo estão:

  •  ⁠Microsoft
  •  ⁠Nvidia
  •  ⁠Samsung
  •  ⁠Ubisoft
  •  ⁠Okta
  •  ⁠Uber
  •  ⁠T-Mobile

Ao contrário de muitos grupos ransomware tradicionais, o LAPSUS$ especializou-se sobretudo em:

  • ⁠engenharia social
  • ⁠roubo de credenciais
  • ⁠ataques a contas corporativas
  • ⁠extorsão baseada em fuga de dados
  • ⁠acesso a plataformas GitHub e Azure DevOps

Especialistas referem que o grupo costuma privilegiar ataques rápidos e mediáticos, muitas vezes recorrendo a técnicas simples mas eficazes, como SIM swapping, phishing ou manipulação de funcionários internos.

O que é o SIM swapping?

O SIM Swapping é uma fraude

O SIM Swapping, ou SIM Swap, é uma forma de fraude em que hackers assumem o controlo de um smartphone, com possibilidade de aceder aos seus dados e serviços. Por exemplo, a contas bancárias, redes sociais e outros canais online. Este ataque coloca em risco dados pessoais e pode causar sérios prejuízos financeiros.

O número de telemóvel é hoje uma peça essencial de identificação. Está associado a diversas contas online e é usado para autenticar transações e recuperar senhas. Quando alguém consegue aceder a essas contas, passa a controlar informações sensíveis e até a sua identidade digital.

Fique a saber o que é e como funciona este tipo de ataque, assim como reconhecer os sinais de alerta. Conheça também as medidas que pode adotar para evitar que o telemóvel e os seus dados pessoais fiquem comprometidos.

SIM Swapping em Portugal?

Sim, esta é uma fraude que tem vindo a crescer em Portugal e no mundo. Ocorre quando um cartão SIM é clonado e permite ao autor do crime controlar tudo o que acontece naquele número de telefone.

Este ataque permite a apropriação indevida da identidade e informação associada a uma telemóvel e hoje em dia, isto permite validar transações bancárias; alterar senhas de contas online. Basicamente, aceder a serviços com autenticação token por sms.

Para conseguirem clonar o cartão, os cibercriminosos normalmente obtêm informações pessoais da vítima, como o nome completo, morada, data de nascimento ou número de identificação fiscal, através de esquemas de phishing, através das redes sociais ou por outras vias que permitam o roubo de dados pessoais. Fingindo ser o legitimo titular do telemóvel solicitam a transferência do número para um novo cartão SIM à operadora de telemóvel.

Assim que conseguem realizar o SIM Swapping, a vítima perde o acesso ao seu número de telemóvel e o criminoso passa a receber todas as comunicações e mensagens, incluindo códigos de autenticação de uso único para autenticação de dois fatores.

Quais as implicações?

As consequências desta fraude podem ser graves, especialmente no que diz respeito às finanças pessoais e identidade das vítimas.

  • Acesso a contas bancárias: assim que o infrator tiver o controlo do número de telemóvel, pode pedir a recuperação de senha para diferentes serviços online. Muitas instituições financeiras utilizam SMS para enviar códigos de verificação, que neste caso iriam parar aos cibercriminosos.
  • Transações fraudulentas: com o acesso às contas bancárias, podem ser realizadas transferências, pagamentos ou até mesmo solicitar um crédito em nome da vítima. Ter o domínio sobre o número de telemóvel também pode permitir aprovar essas operações.

Vodafone já tinha sido associada ao grupo em 2022

Esta não é a primeira vez que o nome da Vodafone surge ligado ao LAPSUS$.

Em 2022, o grupo alegou ter roubado cerca de 200 GB de código-fonte pertencente à operadora, incluindo milhares de repositórios GitHub. Na altura, a Vodafone confirmou estar a investigar o incidente, embora tenha indicado não existirem evidências de impacto nos dados de clientes.

Recorde-se também que a Vodafone Portugal foi alvo de um dos maiores ciberataques da história recente do país em fevereiro de 2022, um incidente que afetou comunicações móveis, serviços de emergência e até sistemas multibanco.