A Polónia vai solicitar esclarecimentos formais sobre as circunstâncias que permitiram a Zbigniew Ziobro, antigo ministro da Justiça, viajar da Hungria para os Estados Unidos. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros polaco, Maciej Wewiór, após as autoridades de Varsóvia terem visto goradas as expectativas de levar o antigo governante a tribunal.

Ziobro e o seu vice-ministro, Marcin Romanowski, tinham obtido asilo na Hungria por decisão de Viktor Orbán. Com a recente derrota eleitoral do primeiro-ministro húngaro frente ao rival pró-europeu Péter Magyar, em Abril, o Governo polaco acreditava que a extradição de ambos seria iminente.

“Vamos questionar tanto os Estados Unidos como a Hungria sobre a base jurídica e factual que permitiu a Zbigniew Ziobro abandonar o território húngaro”, afirmou Wewiór à agência Reuters. “Queremos saber especificamente qual documento lhe permitiu cruzar a fronteira e entrar nos Estados Unidos. Esperamos que esta situação se resolva sem afectar as excelentes relações entre Washington e Varsóvia.”

Até ao momento, nem a embaixada dos EUA em Varsóvia nem o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Hungria responderam aos pedidos de esclarecimento.

No domingo, Ziobro confirmou à estação privada TV Republika que se encontra nos Estados Unidos, corroborando notícias que circulavam na imprensa polaca. O canal, que mantém uma linha editorial próxima do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS) — sob o qual Ziobro serviu —, anunciou que o antigo ministro passará a colaborar com a estação como comentador político.

Figura central e arquitecto das polémicas reformas judiciais que, segundo a União Europeia, minaram a independência dos tribunais na Polónia entre 2015 e 2023, Ziobro enfrenta agora 26 acusações criminais. No centro do processo está o alegado uso indevido de verbas de um fundo destinado a apoiar vítimas de crimes para obter ganhos políticos.