“Donald Trump arrisca-se a que isto, o Irão, seja o Vietname dele, em que tem uma superioridade militar evidente, mas não consegue contrariar a astúcia dos iranianos”, reitera o comentador da TVI

Paulo Portas considera que “está suspensa a batalha naval, mas continua uma batalha de posts e de tweets”, perante a troca de acusações entre EUA e Irão sobre uma proposta para acabar com o conflito.

“O que a América tem de perceber é que uma negociação não é uma capitulação. Se fosse para capitular já se tinha percebido. E o Irão tem que perceber que não pode ficar com o que tem hoje completamente, porque os vizinhos foram ameaçados, foram bombardeados, foram colocados em risco”, argumenta o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal).

Portas vinca que estava em curso uma tentativa de negociação mais profissional, que já “era uma coisa muito parecida com o cessar-fogo verdadeiro”, que acaba por ser derrubada com a troca de acusações deste domingo.

“Donald Trump arrisca-se a que isto, o Irão, seja o Vietname dele, em que tem uma superioridade militar evidente, mas não consegue contrariar a astúcia dos iranianos”, reitera.

“As duas partes deviam pelo menos entender-se como medida de confiança em deixar sair aqueles que estão pura e simplesmente retidos no Estreito de Ormuz com absoluta impossibilidade de saírem dali”, sugere.

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“Parece instalar-se uma qualquer paranoia na Rússia”

Este sábado a Rússia assinalou o Dia da Vitória sem o tradicional aparato militar. “Há um rumor de que, pela primeira vez, Vladimir Putin teve medo. Teve medo e desescalou a parada militar, não mostrou equipamentos”, contextualiza Portas.

“A Ucrânia tem uma bravura enorme do ponto de vista da resistência e uma capacidade inovadora para superar a perda dos Estados Unidos como fornecedor, nomeadamente em equipamentos militares altamente tecnológicos e muito mais baratos”, junta.

Para vincar que, na Rússia, “parece instalar-se uma qualquer paranoia de que há complôs e golpes internos organizados contra eles. A história soviética está cheia disso”.

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