Katherine Short lutou durante “muito tempo contra problemas graves de saúde mental”, confessa agora o pai

Martin Short falou publicamente pela primeira vez sobre o “pesadelo” de perder a filha Katherine no início deste ano.

A estrela de “Homicídios ao Domicílio” contou à CBS, numa entrevista exclusiva exibida este domingo, que a morte de Katherine por suicídio, em fevereiro, foi devastadora. Katherine Short tinha 42 anos quando morreu, segundo relatos dos meios de comunicação social da época. Era uma das três crianças que o comediante, agora com 76 anos, adotou com a mulher, Nancy Dolman, que morreu vítima de cancro do ovário em 2010.

Martin Short surge na foto com a filha Katherine, em 2011 (Gregg DeGuire/FilmMagic/Getty Images via CNN Newsource)

Martin Short surge na foto com a filha Katherine, em 2011 (Gregg DeGuire/FilmMagic/Getty Images via CNN Newsource)

Numa entrevista antes do lançamento de um novo documentário da Netflix sobre a sua vida, o canadiano Short disse que “tem sido um pesadelo para a família”, mas explicou que isso o ajudou a compreender que “a saúde mental e o cancro (como o da minha mulher) são doenças, e por vezes, as doenças são terminais”.

Contou então à entrevistadora Tracy Smith sobre a longa luta da sua filha. “A minha filha lutou durante muito tempo contra problemas graves de saúde mental, transtorno de personalidade borderline e outras coisas, e fez o melhor que pôde até não conseguir mais. Então, as últimas palavras da Nan (Nancy) para mim foram ‘Mart, deixa-me ir’, e ela só dizia ‘Pai, deixa-me ir'”.

A perda levou Short a envolver-se com uma organização sem fins lucrativos chamada “Bring Change to Mind”, fundada pela atriz Glenn Close devido a problemas de saúde mental na sua própria família, disse.

Short disse ter um “profundo desejo” de se envolver com a organização, que está a “tirar a saúde mental das sombras, sem se envergonhar dela, sem se esconder da palavra suicídio, mas aceitando que este pode ser o último estágio de uma doença”.

O documentário “Marty, Life is Short” mostra os bastidores da longa carreira de Short como um ator cómico muito acarinhado, com a ajuda de imagens de arquivo inéditas. Realizado por Lawrence Kasdan, é dedicado à memória de Katherine e à grande amiga de Short, Catherine O’Hara, estrela de “Schitt’s Creek”, que faleceu poucas semanas antes da filha.

Short conhece bem o luto, como discutiu na entrevista. Aos 20 anos, já tinha perdido os pais e o irmão mais velho, David, que morreu num acidente de viação. “Desenvolveu em mim uma capacidade de sobrevivência e de lidar com o luto, bem como uma perspetiva sobre o mesmo, e isso permaneceu comigo”, disse a Smith.

Afirmou que a sua experiência lhe deu “uma compreensão, desde a infância, de que o fim da vida aconteceria com todos nós”. Disse ainda que, embora chegue demasiado cedo para alguns, manter viva a sua memória é fundamental. “Eles apenas foram para o outro lado durante algum tempo, (e eventualmente) estarás nesse lugar”, concluiu.

Short disse que nunca fez terapia, preferindo usar os seus próprios mecanismos para lidar com as situações. “Só precisa de inspirar e expirar”, disse. “O que faço é ditar no telemóvel e transcrever. Depois, leio, reescrevo e guardo.”

E acrescentou: “Acho que todos nós negamos o tempo limitado que temos nesta Terra. É muito difícil aceitar isso”.

“Quanto mais aceitar, acho que isso nos eleva e nos faz sentir que a vida é uma viagem complicada. E quanto mais a encararmos com sabedoria, provavelmente mais felizes seremos.”

O documentário estará disponível na Netflix a partir desta terça-feira, 12 de maio.