O ë-C3 Autonomia Urbana acaba de chegar para reforçar uma ideia que a Citroën tem procurado consolidar nos últimos anos: a mobilidade eléctrica não deve ser reservada a propostas caras ou a perfis de utilização desadequados, como deixou claro quando revelou o concept Oli e que serve de base para o caminho actual do emblema gaulês.
Para contra-atacar a ideia de que um automóvel eléctrico tem de ser caro, o ë-C3 Autonomia Urbana apresenta-se, no período de lançamento, desde 17.990 euros, sendo o seu preço de tabela a partir de 19.990 euros. E, para mostrar que o automóvel se deve adaptar ao estilo de vida do condutor, equipa-o com uma bateria de química LFP, com 30 kWh de capacidade, cujo alcance é de pouco mais do que 200 quilómetros, apoiando-se nas estatísticas que apontam que um condutor médio europeu realiza entre 25 e 30 quilómetros por dia.
A nova versão assenta na plataforma Smart Car e mantém a arquitectura já conhecida na gama, mas adapta o conjunto para uma utilização mais urbana, com a bateria a afirmar-se como uma escolha coerente para o posicionamento da versão: deslocações diárias, trajectos casa-trabalho, mobilidade em contexto urbano e utilização regular sem necessidade de grandes reservas para viagens longas. Ainda assim, o facto de a bateria aceitar carregamento rápido em corrente contínua até 30 kW não anula a possibilidade de uma saída para mais longe num fim-de-semana ou de uma viagem nas férias. Em corrente alternada, a bateria suporta potências de carregamento até 7,4 kW.
Citroën ë-C3 Autonomia Urbana
dr
Vivo, mas pouco rápido
Com potência equivalente a 113cv, o ë-C3 Autonomia Urbana não se distingue pela rapidez (acelera de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos), mas no cenário para o qual foi desenhado parece um peixe na água, tirando partido de um binário máximo de 125 Nm, que se revela mais do que suficiente para rolar pela malha urbana. Já a velocidade máxima, de 125 km/h, pode parecer pouco convidativa a fazer auto-estrada, mas a Citroën compensa esse pequeno senão com um nível muito bom de conforto, particularmente em estrada aberta, graças à inclusão da suspensão Citroën Advanced Comfort desde a versão de acesso. Já em caminhos sinuosos ou esburacados, o ë-C3 vai queixar-se — e o nosso corpo também.
Ainda assim, o que mais sobressai depois de algumas voltas é a sua agilidade suave e a forma como se deixa conduzir com facilidade. É que, ao contrário do que sucede com alguns eléctricos, a calibração do pedal do acelerador permite ver a velocidade aumentar de forma progressiva. Não sentimos o mesmo com o pedal vizinho, embora não tenhamos circulado quilómetros suficientes para concluir que os travões precisam de afinação aprimorada.
Citroën ë-C3 Autonomia Urbana
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Simples, mas recheado
A ideia é de apostar na simplicidade e, assim, cortar custos, dando continuidade à lógica também anunciada com o Oli. Mas isso, concluiu a Citroën, não implica sacrificar o bem-estar a bordo. Por isso, dotou o ë-C3 com vários elementos que se propõem a oferecer uma boa experiência. É o caso de uma espécie de “head-up display” que recorre a uma faixa que se espraia por todo o tablier, da inclusão de ar condicionado e de sensores de luz de série ou do sistema My Citroën Play com smartphone station, valendo-se da ideia de tornar o smartphone parte da experiência automóvel.
A segurança e as ajudas à condução são igualmente relevantes nesta proposta. O ë-C3 Autonomia Urbana integra um conjunto alargado de sistemas no Pack Safety, já em conformidade com a norma GSRV2.2, incluindo travagem automática de emergência com aviso de colisão frontal, alerta de saída de faixa, reconhecimento de sinais de trânsito, cruise control com limitador, assistente de arranque em subidas e detecção de pneu vazio.
A gama em Portugal inclui ainda as versões Plus e Van, esta última com homologação N1, orientada para utilização profissional, beneficiando de garantia Citroën We Care, com cobertura até oito anos ou 160 mil quilómetros.
Veredicto
O ë-C3 Autonomia Urbana constitui uma proposta racional para a mobilidade eléctrica em cidade, ao combinar um preço relativamente acessível com autonomia suficiente para o uso diário. Não impressiona pelo desempenho, mas dá cartas na racionalidade e na coerência.