Na política internacional, as parcerias são contingentes e estão sujeitas a alterações. A Turquia e Israel já foram parceiros estratégicos próximos; hoje, já não são. Os “dias de ouro” desta relação poderão nunca regressar, mas a Turquia continuará a ser um protagonista regional demasiado importante para desaparecer dos cálculos estratégicos de Israel.

Para a Grécia, isto comporta uma conclusão clara: a cooperação com Israel é valiosa, mas não deve ser tratada como estrutura estratégica autossuficiente ou substituto da rede mais ampla de parcerias de Atenas. Pode oferecer ganhos concretos em defesa, tecnologia, partilha de informação classificada, energia e conectividade regional, mas apenas como elemento de uma estratégia mais ampla e diversificada.

Fechar fileiras no Mediterrâneo Oriental

Há dias, Francesca Albanese, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinianos ocupados, fez um alerta, durante o lançamento em Atenas do seu novo livro, “Quando o Mundo Dorme: Histórias, Palavras e Feridas da Palestina”. Frisou que Israel escolheu a Grécia para promover as suas ambições regionais, e que alguns sectores da Grécia têm uma perceção errada da sua aliança com Israel.

“Pensam que escolheram Israel para garantir a paz contra o seu inimigo eterno? Penso que não. Israel escolheu-vos e vai explorar os vossos medos e a vossa insegurança, porque é isso que faz para avançar na sua hegemonia regional”, alertou. Também a oposição grega, em particular o partido de esquerda Syriza, contesta a proximidade com Israel, dada a atuação militar deste país em Gaza. A Grécia, como Chipre, considera a solução de dois Estados pré-requisito indispensável para a estabilização do Médio Oriente.

Os laços greco-israelitas remontam a 2010, quando as relações entre Israel e a Turquia se deterioraram, devido à ajuda turca aos palestinianos, aquando dos confrontos na Faixa de Gaza entre grupos armados palestinianos e o Exército israelita. Essa aproximação envolveu Chipre, numa relação trilateral que começou por visar discutir projetos conjuntos no âmbito da energia, e que agora se estende à segurança e defesa. A motivação dos três Estados levou Ancara a defini-los como aliança “antiturca”.

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