Perante o cenário, alguns comandantes têm recorrido a estratégias como desligar os transponders para evitar serem identificados como alvos
Sinais de interferência eletrónica no Golfo Pérsico estão a distorcer dados de localização de vários navios, numa altura em que as tensões na região têm aumentado devido a recentes ataques do Irão contra países vizinhos, revela esta quarta-feira a Bloomberg. A situação tem levantado dúvidas sobre a fiabilidade das transmissões de geolocalização marítima na região.
Os dados de rastreamento mostram cerca de 120 embarcações agrupadas numa zona em terra, a cerca de uma hora de carro de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, com indicações de velocidades próximas dos 92 quilómetros, apesar de não haver alterações reais de posição. Outro grupo, junto à fronteira terrestre entre Omã e os Emirados, aparenta velocidades superiores a 185 quilómetros, o que não corresponde à realidade operacional.
Estes padrões anómalos são atribuídos a interferências nos sinais de geolocalização, conhecidas como “signal jamming”, possivelmente intensificadas após a ativação de sistemas de defesa aérea pelos Emirados Árabes Unidos na semana passada, na sequência de ataques com mísseis e drones lançados por Teerão, o primeiro incidente do género no país em quase um mês.
Segundo o analista Mark Douglas, da Starboard Maritime Intelligence, citado pela Bloomberg, é provável que os países do Golfo tenham ativado sistemas de guerra eletrónica após estes ataques recentes, com a consequência de afetar significativamente os dados do sistema AIS (Automatic Identification System), utilizado para transmitir em tempo real a localização dos navios.
Apesar de a interferência não atingir níveis tão elevados como no início do conflito, regista-se agora um novo aumento destes fenómenos, após um período de menor atividade. Esta situação dificulta a análise do tráfego marítimo no Golfo e no Estreito de Ormuz, uma zona crítica para o transporte de energia.
Perante este cenário, alguns comandantes têm recorrido a estratégias como desligar os transponders para evitar serem identificados como alvos. Já no domingo, uma embarcação de carga terá sido atacada na região. No Estreito de Ormuz, o tráfego manteve-se praticamente parado esta segunda-feira, com apenas duas passagens registadas, incluindo um petroleiro carregado com crude iraquiano que indica o Vietname como destino.