Hamir da Silva – que deu a Moçambique o primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo – concorreu com “Resiliência da comunicação”, a imagem de “um homem a sintonizar a frequência de um rádio antigo, resistente ao tempo, num mundo que corre atrás das novas tecnologias”, lê-se num comunicado da Somos! – Associação de Comunicação em Língua Portuguesa (Somos – ACLP).


O concurso teve este ano como tema “O Hoje do Passado”, e o trabalho vencedor “remete para a intemporalidade de um rádio antigo e duas latas unidas por um fio improvisado, numa reinvenção da infância e da cultura de brincar que atravessa gerações”, refere-se na nota.


Com o primeiro lugar, o fotógrafo é premiado com dez mil patacas (1.055 euros) e uma viagem e estadia em Macau, onde vai participar na cerimónia de inauguração da exposição da Somos – ACLP, em 29 de Maio, nas Casas Museu da Taipa.


O segundo prémio, no valor de sete mil patacas (730 euros), foi atribuído ao português Adão Salgado, com “O mar como legado vivo”, “representando a técnica secular da pesca tradicional portuguesa – Arte Xávega – que continua a alimentar comunidades e a definir a alma do litoral português”.


O português Carlos Júlio Teixeira alcançou o terceiro lugar, com um prémio no valor de cinco mil patacas (525 euros), com a “A fé cantada”, captada no interior de uma igreja, “durante a festa devotada a São Vicente, onde vozes se reúnem em coro num ato de fé pública, quase ancestral”, refere a associação no comunicado.


O júri, composto por fotojornalistas a trabalhar em Macau, Portugal, Brasil e Moçambique e presidido pelo português Gonçalo Lobo Pinheiro, atribuiu ainda três menções honrosas, a Carlos Costa (Portugal) com o trabalho “Varge”, a Clarice Carvalho (Brasil) com “Presente do passado” e a Marcos Júnior (Moçambique), vencedor da edição anterior, com a fotografia “Crescer entre memórias”.


Além das obras vencedoras e das menções honrosas, foram ainda selecionadas 34 fotografias que vão compor a exposição “Somos — Imagens da Lusofonia 2025/26: O Hoje do Passado”, com curadoria do arquiteto e fotógrafo radicado em Macau, Francisco Ricarte.


No comunicado, refere-se ainda que o concurso fotográfico se tem “afirmado como um concurso plural, vivo e representativo da fotografia contemporânea em língua portuguesa.


Mais de cem pessoas concorreram a esta sétima edição, disse à Lusa a presidente da Somos – ACLP, Marta Pereira.


Espera-se que o “número de participantes aumente a cada edição, sendo um grande desafio para a associação encontrar temas que sejam adequados para o universo lusófono, que abrange tanta diversidade”, disse ainda, citado no comunicado, o fotógrafo Gonçalo Lobo Pinheiro, que trabalha em Macau.