Elementos do colectivo Climáximo mancharam com tinta vermelha, nesta segunda-feira, a fachada da sede da multinacional francesa Thales, especializada em tecnologias de defesa, aeroespacial, cibersegurança e identidade digital, num protesto pela parceria que o grupo mantém com a importante produtora de armas israelita Elbit Systems, que produz e exporta tecnologia de defesa, como drones e carros miliares.

A PSP de Oeiras disse à Lusa que os agentes estiveram no local pelas 7H05 e confirmaram a acção, mas já não encontraram nenhum activista quando chegaram ao edifício.

Numa nota divulgada à comunicação social, os elementos do Climáximo dizem que escreveram a palavra “genocida” a vermelho na fachada da Thales, em Paço de Arcos, em alusão à guerra de Israel contra os palestininos em Gaza.

Trata-se do quarto maior grupo de armamento, tecnologia e segurança da Europa, produzindo mísseis, carros de combate, drones e outros equipamentos e tecnologias usadas para vigilância e aniquilação de alvos. Citado no comunicado, o estudante de biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Filipe Antunes acusa a Thales de lucrar directamente “com a morte de milhares de pessoas” e de ser “parte integrante de um modelo que promove a matança de pessoas inocentes por todo o mundo”.

Isto, assegura, é “indissociável dos combustíveis fósseis”. “Os combustíveis fósseis são um multiplicador da capacidade bélica, sendo a guerra moderna dependente e só possível devido a eles”, considera o estudante, elemento do Climáximo.

A Thales é central nos esforços de militarização das fronteiras europeias que fazem das pessoas migrantes “alvos de ataque, repressão e desumanização”, considera o porta-voz do Climáximo. Considera a empresa “um pilar” na expansão da extrema-direita internacional e no “progresso do imperialismo e de políticas bélicas, genocidas e fascistas”.

O colectivo de luta pela justiça climática denuncia a “fatia considerável” de emissões do complexo industrial militar, tal como os milhões gastos em armamento e combustíveis fósseis, afirmando que este financiamento deveria antes ser aplicado na criação de um “Serviço Nacional do Clima”, para gerir a transição energética, e em empregos no sector dos cuidados e serviços de apoio social, garantindo saúde, educação e alimentação.

“Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos actuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água”, considera Daniela Subtil, 35 anos e formada em relações internacionais e alterações climáticas, outra das porta-vozes do Climáximo.

“Não aceitamos nem vamos ficar imóveis, só a acção popular pode defender a vida da humanidade inteira”, afirma ainda Subtil. O Climáximo, que convoca a população a juntar-se, no dia 15 de Maio, à concentração que vai promover ao final da tarde frente à sede do Governo.