Os actores Ben Affleck e Matt Damon estão a ser processados por difamação pelos agentes do gabinete do xerife do condado de Miami-Dade. Em causa está o filme Dinheiro Suspeito, que os agentes Jonathan Santana e Jason Smith dizem representá-los como “polícias corruptos”, retratando negativamente a forma como as autoridades lidaram com a operação de narcotráfico em 2016 na qual foram apreendidos 24 milhões de dólares (mais de 20 milhões de euros) em dinheiro.

As notas foram encontradas em 24 baldes, cada um com um milhão de dólares, escondidos por trás das placas de gesso das paredes de uma casa em Miami Lakes. Volvida uma década, ainda é a maior soma de dinheiro de narcotráfico que o departamento do xerife alguma vez resgatou numa operação de narcotráfico.

Mas o filme, com Matt Damon e Ben Affleck nos papéis principais, mostra como os agentes viveram um dilema entre o dever e a tentação, já que se viram na posse de tamanha soma de dinheiro. “Quando se ripa algo, está-se a roubar”, declarou Jonathan Santana ao site 7 News Miami, referindo-se ao título original do policial, The Rip. E assegura: “Nunca roubámos um único dólar.”

O processo, entregue no tribunal federal da Florida na semana passada, argumenta que os dois agentes sofreram “prejuízo grave à sua reputação pessoal e profissional” na sequência da estreia do filme. “Apresentaram os agentes da polícia como corruptos, logo apresentaram os meus clientes como corruptos”, argumenta o advogado, Ignacio Alvarez.

Mais: Santana e Smith defendem que deviam ter sido consultores do filme, como foi um agente do gabinete do xerife que dizem nem sequer ter estado envolvido na rusga. “Se uma pessoa foi paga para contar a história, então as outras deviam ser remuneradas pela sua presença”, insiste o advogado.

A acção interposta contra a produtora Artists Equity, que representa Matt Damon e Ben Affleck, é de difamação, ainda que os nomes de Jonathan Santana e Jason Smith não sejam referidos no filme. O drama policial usa nomes ficcionais (Matt Damon interpreta Dane Dumars e Ben Affleck é o detective J.D. Byrne) ​e a Netflix faz a salvaguarda de que esta é uma história dramatizada.


O caso de difamação não é a única polémica em que Dinheiro Suspeito está envolvido. Aquando da estreia do filme, em Janeiro, o presidente da câmara de Hialeah, Bryan Calvo, lamentou que a cidade tivesse sido usada como cenário para a cena da rusga, em vez da localidade vizinha, Miami Lakes, onde efectivamente o episódio teve lugar em 2016. “Este filme é uma bofetada na cara das nossas forças de segurança. Respeitamos a ficção, mas o nosso trabalho aqui, e o dos homens e mulheres do Departamento de Polícia de Hialeah, é defender os nossos residentes e defender a verdade”, reiterou.

Até agora, a produtora Artists Equity, tal como Bem Affleck e Matt Damon, mantêm-se em silêncio sobre o caso.