prostooleh / freepik

Muitos de nós devemos às nossas mães a sobrevivência até à idade adulta. No entanto, o “colinho” protetor do amor de uma mãe pode estender-se muito para além do indivíduo.

A longevidade excecional de toda a raça humana pode ser parcialmente explicada pelo tempo durante o qual as crianças permanecem sob os cuidados das mães.

Um estudo de 2024, publicado na PNAS, sobre animais que vivem vidas longas e lentas, incluindo primatas, baleias e hienas, centra-se numa característica que estas espécies têm em comum. As crias de todas estas espécies permanecem dependentes dos cuidados maternos durante longos períodos de tempo.

Segundo a equipa de investigadores da Universidade de Cornell, a investigação sugere que a seleção natural ao longo do tempo tende a favorecer mães que vivem mais tempo – ajudando a impulsionar a evolução de vidas mais longas na espécie.

Claro que existe uma compensação evolutiva. Estas espécies de vida longa produzem menos descendência do que, por exemplo, uma ninhada de gatinhos ou um saco de pequenas aranhas. Mas isso também beneficia a descendência, permitindo mais cuidados por cada cria.

“Uma das coisas realmente misteriosas acerca dos humanos é o facto de vivermos vidas extremamente longas em comparação com outros mamíferos,” observou, à Science Alert, o neurobiólogo Matthew Zipple, que liderou a investigação.

“O propomos é que uma parte da explicação para a nossa longa esperança de vida é este aspeto fundamental, que é a relação entre a mãe e o seu filho“, explicou.

 

As esperanças de vida dos mamíferos variam amplamente, desde breves 12 meses para o rato-gigante-de-Sunda de Müller até aos dois séculos de vida da baleia-da-Gronelândia. Para a maioria das espécies, a sua esperança de vida tem uma relação vaga, mas fiável com o tamanho do corpo.

Algumas espécies, contudo, desafiam esta relação, com esperanças de vida muito superiores às de outras espécies com massa corporal semelhante.

Os humanos estão entre estas espécies de vida mais longa, tal como alguns outros primatas, bem como hienas, certas espécies de baleias e elefantes. O que estas espécies também têm em comum é o facto de serem todas animais muito sociais, vivendo em grupos que se ajudam mutuamente.

Hipótese da Avó

Uma explicação proposta para a longevidade de pelo menos algumas destas espécies é a hipótese da Avó. Segundo esta teoria, em espécies com uma fase pós-menopausa da vida, as avós deixam de se reproduzir, reduzindo a competição reprodutiva e dando apoio às mães que ainda estão a ter filhos.

No entanto, isto aplica-se apenas a algumas espécies – humanos, orcas, baleias-beluga, narvais e possivelmente chimpanzés.

E depois a hipótese da… Mãe

Zipple quis perceber porque é que outras espécies sem avós pós-menopáusicas conseguem viver vidas igualmente longas, centrando a sua atenção nas mães.

Os investigadores construíram modelos para testar até que ponto a sobrevivência de uma mãe afeta as probabilidades de sobrevivência da sua descendência – e até dos seus netos.

A ideia é simples. Em muitas destas espécies de vida longa, a morte de uma mãe ou avó diminui as probabilidades de sobrevivência da sua descendência.

Isto sugere que, em espécies onde os jovens dependem fortemente das suas mães, o facto de uma mãe permanecer viva durante mais tempo pode melhorar diretamente as hipóteses de sobrevivência e reprodução da sua descendência.

Isso cria pressão evolutiva a favorecer indivíduos que vivem mais tempo, mesmo que tenham menos descendência no total.

Em múltiplos modelos, a equipa encontrou o mesmo padrão. Quando a descendência depende mais das suas mães, as populações tendem a evoluir para vidas mais longas e reprodução mais lenta.

Por outro lado, se uma mãe morrer cedo, a sua descendência pode ser menos saudável ou menos capaz de cuidar da própria descendência, criando um impacto em cascata na sobrevivência ao longo das gerações.

Nas espécies em que essas ligações foram estudadas verificou-se também que a força e a duração da influência da mãe são maiores do que as do pai.

“Quando observamos mães e crias a interagir em primatas não humanos, conseguimos ver simplesmente nas expressões das crias que não há nada mais importante no mundo do que a presença da mãe“, disse Zipple.


Subscreva a Newsletter ZAP


Siga-nos no WhatsApp


Siga-nos no Google News