Rotina de millennials já tem designação: “millennial daughter tax”. Está à vista uma das maiores crises sociais e laborais da próxima década.

Nasceram entre 1981 e 1996. São millennials, ou da geração Y. Muitas já têm pais idosos – e abdicam de muita coisa para cuidar deles.

Cada vez mais mulheres da geração millennial estão a sacrificar carreiras, a esgotar poupanças e a abdicar da estabilidade financeira para cuidar dos pais.

O fenómeno já tem nome nos EUA: “millennial daughter tax” — ou “imposto das filhas millennials”. É uma espécie de imposto invisível.

A expressão descreve o impacto económico e emocional suportado sobretudo por mulheres que assumem o papel de cuidadoras principais numa população envelhecida e sem respostas públicas suficientes para os cuidados continuados.

O Business Insider relata casos de mulheres obrigadas a reduzir horários de trabalho, abdicar de promoções ou mesmo abandonar completamente as suas carreiras para acompanhar pais com doenças degenerativas ou com incapacidade física.

Cerca de 61% dos cuidadores informais nos Estados Unidos são mulheres e quase 70% dos cuidados permanentes são assegurados por filhas ou esposas.

Um dos exemplos destacados é o de Allison Hale, directora de marketing e mãe solteira de dois adolescentes; teve de colocar a mãe numa unidade especializada para doentes com perda cognitiva. São mais de 9 mil dólares (mais de 7 mil euros por mês), sem comparticipação de seguro de saúde. Além das despesas, Hale percorre regularmente centenas de quilómetros para acompanhar a mãe e tratar de burocracias associadas aos cuidados médicos.

Os impactos financeiros acumulados podem ser devastadores. Estima-se que o trabalho de cuidado não remunerado pode representar perdas próximas dos 300 mil dólares (cerca de 250 mil euros) ao longo da vida de uma mulher: salários perdidos, promoções falhadas e menores contribuições para a reforma.

A situação agrava-se porque muitos idosos norte-americanos não têm capacidade financeira para suportar cuidados prolongados. E a maioria nem sabe que o sistema Medicare não cobre grande parte desses serviços. Os custos anuais de lares e apoio domiciliário podem ultrapassar os 80 mil dólares, quase 68 mil euros por ano.

Nas redes sociais e fóruns online, milhares de mulheres identificam-se com o problema. Muitas relatam sentimentos de exaustão, culpa e desigualdade familiar, apontando que a responsabilidade recai frequentemente sobre as filhas e não sobre os filhos homens.

O envelhecimento da geração baby boomer (nascidos entre 1946 e 1964) poderá transformar esta realidade numa das maiores crises sociais e laborais da próxima década.


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