Estátua do cão Orelha será feita na Praia Brava; imagem ilustrativa gerada por IA viralizou nas redes sociais na época de sua morteEstátua do cão Orelha será feita na Praia Brava; imagem ilustrativa gerada por IA viralizou nas redes sociais na época de sua morteFoto: Reprodução/Redes sociais

A construção de uma estátua para homenagear o cão Orelha foi confirmada pelo deputado estadual Mário Motta (PSD) na segunda-feira (11). O monumento será levantado na Praia Brava, em Florianópolis, onde o cão comunitário vivia, e a data da instalação será divulgada nos próximos dias, assim como detalhes de como será a estátua.

De acordo com o parlamentar, o local exato da estátua do cão Orelha já foi escolhido pelo prefeito da capital, Topázio Neto (Podemos). “Enquanto ela não fica pronta, a nossa luta por justiça segue firme, exigindo que os responsáveis sejam identificados e punidos”, declarou Motta.

O deputado afirmou que a obra foi viabilizada por uma vaquinha on-line. Como o valor alcançado não era suficiente para a execução total, o escultor catarinense Daniel Juzumas de Lima se disponibilizou para a elaboração do monumento após diálogos com os organizadores.

Receba no WhatsApp as principais notícias da Grande Florianópolis Entre no grupoEstátua do cão Orelha não será a primeira homenagem feita

A comoção causada pela morte do animal fez com que diversas homenagens fossem realizadas em todo o país para além da nova estátua do cão Orelha. No local onde ele e outros cães viviam, flores, desenhos, balões, bilhetes e até brinquedos de pelúcia decoram o espaço que se tornou um memorial na Praia Brava.

Casinha de Orelha decorada por homenagens espontâneas virou memorial do cão comunitárioCasinha de Orelha decorada por homenagens espontâneas virou memorial do cão comunitárioFoto: Carolina Bechelli Zylan

A iniciativa partiu dos moradores, que também construíram as casinhas dos três cães comunitários da região: Orelha, Pretinha e Caramelo.

Na Praia da Galheta, o cão Orelha recebeu um desenho gigante na areia, de autoria do artista Clayton Balduino, conhecido como Reci Clayton. Desde 2012, o artista utiliza técnicas de Land Art, movimento que usa a paisagem natural como suporte para as obras.

Artista usou areia da Praia da Galheta para fazer homenagem ao cão OrelhaArtista usou areia da Praia da Galheta para fazer homenagem ao cão OrelhaFoto: Reci Clayton/Instagram/ND Mais

Além disso, em 16 de abril, o Hospital Veterinário Municipal Cão Orelha, em Florianópolis, foi inaugurado. O estabelecimento é a primeira unidade pública de Santa Catarina exclusiva para atendimento médico de animais.

Hospital Cão Orelha, primeira unidade de atendimento veterinário pública de SC, foi inaugurado em FlorianópolisHospital Cão Orelha, primeira unidade de atendimento veterinário pública de SC, foi inaugurado em FlorianópolisFoto: Leonardo Sousa/PMF/ND Mais

Somado a estas ações na capital, murais, protestos e artes em todo o país e em outros países, como em Portugal, foram realizados em memória ao cão.

Quem era o cão Orelha, símbolo da Praia Brava que virou amigo da comunidade em Florianópolis

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    Orelha era um cão comunitário e cuidado por moradores do bairro - Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

    Orelha era um cão comunitário e cuidado por moradores do bairro – Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

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    Cão orelha vivia na Praia Brava, no Norte de Florianópolis - Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

    Cão orelha vivia na Praia Brava, no Norte de Florianópolis – Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

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    Orelha era mantido por moradores e comerciantes da Praia Brava - Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

    Orelha era mantido por moradores e comerciantes da Praia Brava – Carolina Bechelli Zylan/Arquivo Pessoal/ND Mais/Licensed under CC BY-SA 4.0

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    Animal na areia da praia - Divulgação/ND Mais

    Animal na areia da praia – Divulgação/ND Mais

“O sol da Praia Brava mesmo em dias nublados”, é assim que Carolina Bechelli Zylan, moradora da Praia Brava, em Florianópolis, há cinco anos, definiu o cão Orelha e seus companheiros, que alegravam o local com brincadeiras, carinhos e caminhadas. Orelha morreu após sofrer diversas pauladas de um grupo de adolescentes.

Conhecidos como “Pretinhos da Brava”, os cães eram dóceis, faziam parte do cenário da praia e eram companhia constante para moradores e visitantes. “A dor de perdê-los é muito grande. Entre tantos relatos que escutamos, de pessoas que nem moram aqui, chega a doer. É uma brutalidade sem explicação”, disse Carolina ao ND Mais.

Orelha era um cão comunitário. Recebia cuidados e afeto de diversas pessoas, como Carol. Os animais sabiam que podiam confiar nos moradores, pediam comida e retribuíam com carinho e amor.

Carolina relata que, muitas vezes, ao caminhar ou sentar em sua cadeira na praia, Orelha e seus amigos a acompanhavam. “Uma moça disse que vinha correr aqui e eles corriam juntos. Ela falou que não consegue mais vir”, relata.