Atualmente no Al-Ittihad, Sérgio Conceição recordou a sua passagem pelo Milan, destacando a falta de apoio da estrutura do clube e as dificuldades sentidas após a conquista da Supertaça de Itália, comparando o que lá viveu com a segurança que tinha no FC Porto.

O treinador português, que assumiu o comando técnico do Milan no início de 2025 após a saída de Paulo Fonseca, teve um início vitorioso, conquistando a Supertaça em Riade, na Arábia Saudita, depois de vencer a Juventus e o Inter. «Fui chamado para concluir um trabalho em que o Fonseca tinha encontrado dificuldades, apesar de ser também um grande treinador. Encontrei um grupo que queria trabalhar», recordou Conceição em entrevista ao jornal La Repúbblica.

A estrutura do FC Porto… e as outras

No entanto, os problemas surgiram logo a seguir. O técnico português apontou a falta de estabilidade como um dos principais obstáculos. «No FC Porto ganhei imenso. Mas era diferente, tinha um presidente [Pinto da Costa] que esteve no cargo durante décadas e se retirou como o mais titulado do mundo. A estrutura é bem organizada», comparou, sublinhando que a transição para Milão «não foi fácil».

Conceição revelou que a pressão se intensificou rapidamente. «Em Milão, depois da vitória na Supertaça, bastou um empate com o Cagliari para começarem a circular rumores sobre quem iria ocupar o meu lugar. E ninguém os desmentiu», lamentou.

Essa instabilidade, segundo o treinador, afetou o balneário. «Frequentei balneários durante vinte e cinco anos e sei que a instabilidade ambiental chega lá. Não era fácil jogar com os adeptos a abandonarem a curva. E com as redes sociais, o que se dizia sobre nós chegava aos jogadores. Teríamos precisado de grande proteção por parte do clube», afirmou.

Mas um regresso a Itália para treinar não está fora de questão: «Tenho um enorme carinho por Itália. Tenho lá muitos amigos e alguns dos meus filhos nasceram em Itália. Vivi a Serie A quando era o campeonato mais bonito do mundo. Agora as coisas mudaram, mas aprendi muito a treinar em Itália. Tive contactos com clubes italianos, mas não digo nomes.»

Apesar das contrariedades, Conceição considera a sua passagem de seis meses como «positiva», destacando a presença em duas finais. «Jogávamos de três em três dias, treinávamos nos jogos. Muitos vídeos, pouco trabalho de campo. Mas não me queixo. Quando assinei, conhecia o calendário», explicou.

Por fim, falou da sua famosa celebração com um charuto, vista após a vitória na Supertaça, e que já tinha feito no FC Porto. «Sempre o fiz, por cada troféu na carreira. Não queria fazer o ‘show Conceição’, mas apenas algo que me surgisse naturalmente. Aqui na Arábia, aliás, afeiçoei-me ainda mais aos charutos. O vinho não é permitido. É o único luxo».

Aqui na Arábia, aliás, afeiçoei-me ainda mais aos charutos. O vinho não é permitido. É o único luxo

A acabar a licenciutura

Aos 51 anos, Conceição continua a investir na sua formação académica, estando a frequentar a universidade. «Tenho dois exames no final do mês: Metodologia do Desporto e Psicologia do Desporto. Para o ano termino a licenciatura. Mas o título da tese ainda não revelo. Obviamente, tem a ver com futebol, mas será uma surpresa».

O técnico revelou ainda a importância que dá a conhecer a vida dos seus jogadores para além do campo. «Claro. Hoje é importante para um treinador saber como os jogadores ocupam o seu tempo. Diz muito sobre a sua personalidade, o seu percurso, o que pensam. Para mim, antes do jogador, está sempre a pessoa».