The Wilderness Project Archive

Primeira fotografia de um elefante fantasma captada por uma câmara com controlo de movimento.

Durante mais de uma década,  os investigadores procuraram os “elefantes fantasma” — gigantes noturnos que vagueavam por uma zona húmida remota e de alta altitude no leste de Angola. A genética ligou-os agora a populações que habitam a centenas de quilómetros de distância.

Os elefantes, maiores do que todos os outros da região e noturnos, só foram avistados por habitantes locais. Estes podem ser descendentes do maior mamífero terrestre já registado, um elefante chamado “Henry“, que foi abatido em Angola na década de 1950.

Segundo o Phys.org, a equipa colocou as amostras numa máquina que rompe as células para libertar o ADN. A partir daí, o ADN extraído foi enviado para uma máquina de sequenciação que lê o genoma na íntegra.

“Este foi um  exemplo da utilização de amostras não invasivas, porque nem sequer se consegue ver o animal. O melhor que podemos fazer é recolher as suas fezes e, em seguida, aplicar todas as nossas técnicas genómicas para obter informações ao nível do tecido”, diz a bióloga Katherine Solari.

Os investigadores têm vindo a testar este processo em diferentes mamíferos, principalmente em África. Descobriram que, se uma amostra fecal for suficientemente fresca, podem obter a camada externa de muco, que se comporta de forma muito semelhante a uma amostra de tecido, nota o comunicado divulgado pela Stanford Report.

Com o genoma dos elefantes fantasmas em mãos, a equipa usou-o para comparar com sequências de outros elefantes.

“Quando iniciámos este projeto, não havia muita informação genética disponível sobre elefantes. Havia alguns em cativeiro que tinham sido sequenciados, mas não foram úteis para este caso”, acrescenta Solari.

Os cientistas recolheram amostras de sangue e tecido de outros elefantes, a fim de concluir a comparação. “Conseguimos determinar que são geneticamente mais semelhantes aos elefantes da Namíbia do que aos do Delta do Okavango, no Botsuana, o que é surpreendente“, conclui a cientista.

No entanto, os cientistas não conseguiram estabelecer uma ligação conclusiva entre os elefantes fantasmas e Henry. Até ao momento, os únicos dados genéticos que têm do Henry são mitocondriais e não revelam qualquer ligação aos elefantes fantasmas.

Assim, a resposta, obtida a partir do ADN presente nas fezes dos elefantes revelou que os elefantes fantasmas são geneticamente distintos de qualquer população anteriormente sequenciada e assemelham-se mais aos elefantes da Namíbia, centenas de quilómetros a sul.


Subscreva a Newsletter ZAP


Siga-nos no WhatsApp


Siga-nos no Google News