Acompanhe o nosso artigo em direto  sobre a guerra no Médio Oriente.

A administração Trump aprovou a venda de milhares de mísseis intercetores de defesa aérea ao Kuwait, aos Emirados Árabes Unidos e ao Bahrein, no valor de 17,1 mil milhões de dólares, segundo o que fontes do Departamento de Estado e do Congresso revelaram ao The New York Times. Somadas às vendas previamente declaradas nesse dia, as transações autorizadas no dia 30 de abril atingiram um total de 25,7 mil milhões de dólares (aproximadamente 21,8 mil milhões de euros).

O jornal norte-americano avançou que o Departamento de Estado notificou formalmente o Congresso sobre as vendas no dia 30 de abril. No entanto, não as anunciou em declarações públicas, como fez com as vendas de armas avaliadas em mais de 8,6 mil milhões de dólares a Israel e aos países árabes do Golfo que autorizou nesse mesmo dia ao abrigo de uma disposição de emergência, invocada por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.

A autorização de emergência contornou o processo de aprovação do Congresso, uma forma de acelerar o processo e permitir a “venda imediata” de armas, uma vez que, de acordo com o Departamento, os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos estavam em causa.

A ação foi alvo de críticas por parte dos deputados Democratas. Sendo já a terceira autorização de emergência invocada, Gregory W. Meeks, principal representante democrata na Comissão dos Negócios Estrangeiros, foi claro: “Esta transferência de armas reflete uma tendência mais ampla: ignorar a lei e tomar decisões importantes em matéria de segurança nacional sem transparência nem responsabilização”.

Juntamente com os mísseis não declarados publicamente, as autorizações de vendas feitas na última sexta-feira de abril corresponderam a 25,7 mil milhões de dólares. A discrepância entre este valor e os 8,64 mil milhões de dólares anunciados levou o The Times a questionar o Departamento de Estado que, só depois, confirmou as vendas adicionais de mísseis intercetores. Quando interrogado, o Departamento de Estado declarou num comunicado que “esta medida de emergência envia aos nossos parceiros uma mensagem clara de que estamos ao lado deles”.

Sem detalhes sobre quantos mísseis intercetores cada país iria receber, um responsável do Congresso afirmou que os valores corresponderam a 9,3 mil milhões para o Kuwait, 6,25 mil milhões para os EAU e 1,625 mil milhões de dólares para o Bahrein.

De acordo com estimativas internas do Departamento de Defesa, desde o início da guerra com o Irão, os Estados Unidos já utilizaram mais de 1,300 intercetores — mísseis de alta tecnologia projetados para defender contra aeronaves, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos, produzidos pela Raytheon e Lockheed Martin.

A guerra tem esgotado grande parte do stock global de munições das Forças Armadas dos EUA, obrigando o Pentágono a fornecer o Médio Oriente com bombas, mísseis e outros equipamentos de emergência, a partir de comandos na Ásia e na Europa.

Um estudo publicado a 10 de abril pelo American Enterprise Institute estimou que, até à data, o custo da guerra se situava entre os 28 e os 35 mil milhões de dólares. Representantes da Casa Branca recusaram-se a revelar os seus cálculos.