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“A Ucrânia vai receber o primeiro desembolso do empréstimo de 90 mil milhões de euros já em junho, e esses fundos vão ser direcionados para drones, que são cruciais para travar as forças russas”, afirmou Kaja Kallas em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros da Defesa da UE, em Bruxelas.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança frisou, contudo, que o empréstimo de 90 mil milhões de euros não é suficiente, defendendo que é necessário aprovar os 6,6 mil milhões do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz destinados à Ucrânia e que têm estado bloqueados desde 2024 devido ao veto do Governo da Hungria, liderado até o passado sábado por Viktor Orbán.
“Houve um apoio forte a que se encontrem soluções para mobilizar estes fundos e vamos apresentar propostas nesse sentido”, referiu.
Kaja Kallas avançou que os Estados-membros estão também a aprofundar o seu trabalho no que se refere às garantias de segurança que a UE poderá oferecer à Ucrânia em caso de acordo de paz com a Rússia, afirmando que há disponibilidade para reforçar um centro de satélites que poderia monitorizar um eventual cessar-fogo.
Questionada novamente sobre as declarações do presidente russo, Vladimir Putin, no sábado, que referiu que a guerra na Ucrânia “está a chegar ao fim”, Kallas respondeu que “Putin pode acabar com a guerra imediatamente”.
“É só parar de bombardear infraestruturas civis e retirar as suas tropas. É assim tão simples. Mas o que as suas declarações realmente mostram é que não está numa posição de força. Por isso, acho que há uma oportunidade para acabar com esta guerra”, disse.
Kallas insistiu, contudo, que, antes de se começar a negociar com a Rússia, é necessário perceber quais são as concessões que Moscovo está disposta a fazer, “porque são eles que estão a atacar os seus vizinhos”.
“Temos de ter a certeza de que não temos apenas um cessar-fogo ou uma trégua para que eles tenham a possibilidade de voltar a reagrupar-se e fazerem com que as suas Forças Armadas recuperem a forma para, depois, continuarem a atacar”, disse, frisando que é preciso garantir que se alcança uma paz “justa e duradoura que os impediria de voltar a atacar outros países”.
A chefe da diplomacia da UE frisou que é precisamente por isso que os ministros dos Negócios Estrangeiros vão discutir, numa reunião informal em Chipre em 27 e 28 de maio, “as concessões que querem ver do lado russo”.
O empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros – 60 mil milhões para a Defesa e três mil milhões em apoio orçamental – visa permitir à Ucrânia financiar a defesa contra a invasão russa e assegurar as despesas do Estado no período de 2026-2027.
A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.
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