A finalizar a temporada enquanto treinador do Al Ittihad, Sérgio Conceição tirou algum tempo para dar uma entrevista ao jornal italiano La Reppublica, abordando a recente passagem no país.

Após seis meses no Milan na segunda volta de 2024/25, onde trabalhou com Rafael Leão e João Félix, o técnico revisitou a experiência nesse clube histórico.

«Fui chamado para concluir um trabalho que o [Paulo] Fonseca tinha achado difícil, apesar de ele também ser um grande treinador. Encontrei um grupo disposto a trabalhar: tínhamos a Supertaça de Itália na Arábia Saudita, vencemos a Juve e a Inter e conquistámos o título», começou por recordar.

«Jogávamos de três em três dias, treinávamos durante os jogos. Muitos vídeos, pouco trabalho em campo. Mas não me queixo. Quando assinei, conhecia o calendário. Ainda assim, foram seis meses positivos. Chegámos a duas finais. Perdemos uma, é verdade, mas poderia ter sido diferente», continuou.

Traçando uma comparação com o FC Porto, Sérgio Conceição admite que não ter sentido o mesmo apoio da direção em Milão.

«Ganhei muito no FC Porto. Mas era diferente. Tinha um presidente que estava no cargo há décadas e se reformou como o mais bem-sucedido do mundo. O clube é bem estruturado e organizado. A transição não foi fácil. Em Milão, após a vitória na Supertaça, bastou um empate com o Cagliari para que começassem a circular rumores sobre quem iria ocupar o meu lugar. E ninguém os desmentiu», lamentou. 

Confirmando que está a tirar uma licenciatura (tem dois exames no fim do mês), Sérgio Conceição falou ainda sobre alguns pormenores da sua vida pessoal. Um deles envolve a sua imagem de marca – o charuto. 

«Aqui na Arábia passei a gostar ainda mais de charutos. Tenho uma caixa bem abastecida. O vinho é proibido. É o meu único capricho», confidenciou. Por fim, falou sobre o filho Francisco Conceição. 

«Somos diferentes. Eu sou destro, ele é canhoto. Eu cortava para o lado para cruzar, ele para rematar. O que reconheço é que ele tem um caráter forte. Nunca está satisfeito; quer melhorar todos os dias. Tem tanta ambição como eu, apesar de ter nascido numa situação confortável. Tal como todos os outros, e eu em primeiro lugar, ele ainda tem de melhorar. Jogar com jogadores fortes ajuda», rematou.