Kremlin divilgou vídeo do presidente russo, com ar descontraído, a conduzir um SUV nas ruas de Moscovo e a encontrar-se com a sua professora primária

Os pais do presidente russo, Vladimir Putin, eram pessoas “muito hospitaleiras e generosas”, contou Vera Gurevich, de 92 anos, a primeira professora do líder da Rússia, em Leninegrado, em 1960. “O pai (Vladimir Spiridonovich Putin) educou-o bem. Era muito exigente, rigoroso e nunca o queria ver atrasado, mas sempre à frente”, disse Gurevich a um canal russo de televisão, depois de se ter encontrado com o seu antigo aluno. 

O Kremlin divulgou um vídeo de Vladimir Putin a conduzir um SUV Aurus Komendant pelas ruas de Moscovo, esta segunda-feira, e que pode ver associado a este artigo. Vestido casualmente com calças de ganga e uma camisa aos quadrados e levando um grande ramo de flores, Putin aproxima-se da professora, que não o reconhece imediatamente: “És tu?”, pergunta ela. “Sim, sou eu”, responde o presidente, que abraça a sua antiga professora enquanto esta o beija repetidamente nas bochechas e lhe sussurra algo ao ouvido. Depois, Putin ajuda a professora a entrar no carro para irem jantar no Kremlin.

Putin referiu-se já várias vezes a Vera Gurevich como uma influência formativa na sua vida. O secretário de imprensa da presidência russa, Dmitry Peskov, informou que o chefe de Estado convidou a sua primeira professora para assistir ao desfile do Dia da Vitória em Moscovo e depois ficar por alguns dias na cidade a desfrutar de um programa cultural. 

Esta operação de marketing surge depois de os meios de comunicação ocidentais terem citado um relatório dos serviços de informação europeus dizendo que o presidente russo passou semanas escondido em bunkers, explica a Reuters. Os relatos, que apareceram na preparação para a aparição anual de Putin na Praça Vermelha, a 9 de maio, e cuja origem o Kremlin questionou, sugeriam que a segurança à sua volta tinha sido drasticamente reforçada e que o presidente tinha passado semanas a fio a dirigir a guerra na Ucrânia a partir de bunkers subterrâneos com medo de uma tentativa de assassínio ou de um golpe.

As autoridades russas consideraram tais cenários como absurdos e o vídeo de Putin, divulgado na noite desta segunda-feira, parece ser uma refutação visual destas acusações e das afirmações – que há muito lhe são dirigidas por alguns dos seus críticos – de que está cada vez mais distante do seu próprio povo.

O vídeo mostra um Putin com um ar descontraído a chegar a um hotel no centro de Moscovo ao volante de um SUV de fabrico russo, com apenas um segurança, para se encontrar com a antiga professora. No hotel, Putin também fala com um transeunte aparentemente aleatório que entra no lobby do hotel com a sua família e que contou estar a visitar a capital vindo de Sochi, uma cidade turística no Mar Negro.

“Estava calor lá?”, perguntou o presidente russo. “Estava frio quando saímos e estava frio quando chegámos aqui também”, respondeu o homem, rindo. Os dois apertaram as mãos e Putin voltou para o seu veículo.

O problema é que este “encontro espontâneo com um cidadão comum” foi, afinal encenado, relata o Telegraph.

Os jornalistas identificaram o homem como Alexander Bazarny, um antigo funcionário de uma empresa que geria residências luxuosas em Sochi pertencentes tanto a Putin como à mãe da sua companheira de longa data, Alina Kabaeva. A empresa tem também ligações aos serviços de informação russos, de acordo com a Agentstvo, uma agência de notícias de investigação independente.