A Itália testou quatro casos suspeitos de infecção por hantavírus, entre estes um turista argentino, hospitalizado com pneumonia, e um homem da Calábria, no Sudeste do país, que foi colocado em isolamento, informou o Ministério da Saúde nesta terça-feira, numa altura em que a operação de repatriamento dos passageiros do Hondius foi concluída e o navio ruma agora aos Países Baixos, onde será desinfectado. Os quatro testes revelaram-se, entretanto, negativos, revelou o ministério.

O turista argentino partiu a 30 de Abril de uma área endémica do seu país, onde o hantavírus já foi registado em ocasiões anteriores, e viajou para Itália num voo que ligou Buenos Aires a Roma, antes de seguir para a Sicília, onde foi hospitalizado com pneumonia.

As autoridades de saúde locais pediram que o turista fosse testado na terça-feira e as amostras biológicas seguiram para o hospital de doenças infecciosas Spallanzani, em Roma, onde serão analisadas juntamente com uma amostra de um homem de 25 anos que teve um breve contacto a mulher holandesa que se acredita ser um dos primeiros casos deste surto. “O risco associado ao vírus continua muito baixo na Europa e, portanto, também na Itália”, referiu o Ministério da Saúde italiano.

No total, cerca de 80 passageiros partilharam voo com a mulher, que viajou no paquete e que já estava infectada com hantavírus. A neerlandesa, de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, morreu a bordo do Hondius, aterrou em Santa Helena no dia 24 de Abril “com sintomas gastrointestinais” e embarcou num voo no dia seguinte para Joanesburgo, África do Sul, onde acabou por morrer. Depois de se descobrir que a mulher estava infectada, foi iniciado o rastreio de contactos, nomeadamente todos os passageiros do voo.

As autoridades de saúde italianas também localizaram e colocaram em quarentena, em Milão, um turista britânico que esteve no mesmo voo que a neerlandesa, depois de um alerta das autoridades britânicas. Outro turista, que viajava com o britânico, também foi colocado em isolamento por precaução. Ambos tiveram testes negativos.

Os hantavírus são um conjunto alargado de vírus predominantes em roedores, mas que podem infectar humanos. Quando chegam aos humanos, as principais consequências podem ser falhas nos pulmões ou nos rins, conduzindo a cenários de morte se não houver tratamento adequado. Geralmente, os sintomas começam de uma a oito semanas após a exposição e são semelhantes aos da gripe.

Entretanto, subiu para nove o número de casos confirmados deste surto e a Organização Mundial da Saúde admite que outros casos podem surgir devido ao longo período de incubação (que pode chegar às seis semanas), mas sublinhou que não se trata de uma pandemia e que não há nada semelhante à situação que o mundo viveu com a covid-19.

Na segunda-feira, foram confirmados três casos positivos: uma mulher francesa, um cidadão norte-americano e um espanhol. Em Madrid, o passageiro espanhol infectado está isolado num hospital militar juntamente com outros 13 cidadãos espanhóis retirados do navio (que também foram submetidos a teste PCR após o desembarque e realizarão novos testes brevemente). O Ministério da Saúde espanhol acrescenta ainda que, apesar de apresentar febre ligeira e sintomas respiratórios, o homem mantém-se estável.

Depois de uma expedição polar que partiu da Argentina, o Hondius, onde se propagou o vírus, atracou nas ilhas Canárias e ruma agora para Roterdão, onde será desinfectado. Continuam 25 pessoas dentro do paquete, membros da tripulação acompanhados por um médico e uma enfermeira da OMS, assim como o corpo de um cidadão alemão que morreu durante o cruzeiro. Este surto fez, até ao momento, três vítimas mortais. Com Reuters