Depois de duas eleições marcadas que não se concretizaram, o Conselho Geral da Universidade Nova de Lisboa confirmou, nesta quarta-feira, Paulo Pereira como reitor da instituição para o mandato 2026-2030. Segundo uma nota da universidade, o investigador obteve 15 votos entre os 20 membros do Conselho Geral que estiveram presentes. Houve ainda sete membros que não compareceram ao acto eleitoral.

“Recebo este resultado com sentido de responsabilidade e gratidão pela confiança renovada da comunidade académica. O facto de ter sido registado um aumento do apoio face ao processo anterior reforça o compromisso de continuarmos a trabalhar com estabilidade, proximidade e ambição para o futuro da universidade”, afirma Paulo Pereira, citado em comunicado.

O reitor reeleito diz ainda querer deixar uma mensagem de tranquilidade à comunidade académica: “A Nova continua a funcionar com estabilidade, normalidade e pleno compromisso com a sua missão de ensino, investigação e serviço à sociedade. Tenho total confiança na maturidade institucional da nossa universidade e na capacidade colectiva para ultrapassar este momento com serenidade, responsabilidade e respeito pelas instituições. Queremos que a Nova seja uma universidade de liberdade, de pensamento crítico e de pluralidade. E é precisamente essa cultura democrática que importa preservar e reforçar neste momento”, afirma Paulo Pereira.

Este processo eleitoral tem estado envolto em vários processos judiciais. Primeiro, a eleição realizada a 16 de Setembro de 2025, que elegeu Paulo Pereira, foi impugnada por um dos candidatos então excluídos da corrida, Pedro Maló. Este professor auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nov​a argumentava que a sua candidatura não deveria ter sido excluída por não ser professor catedrático. Apesar de os estatutos da Nova o preverem, o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior nada diz a este respeito e, por isso, o Tribunal Administrativo deu-lhe razão, ordenando que a sua candidatura fosse admitida e que se realizassem novas eleições.

Depois, houve outros processos judiciais, apresentados por quatro professores catedráticos da Faculdade de Economia/Nova SBE — Maria Antonieta Cunha e Sá, Pedro Santa Clara Gomes, José Ferreira de Machado e António Nogueira Leite — para impedir que fosse o actual Conselho Geral a eleger o reitor, com o argumento de que a marcação da data para a eleição do novo reitor foi feita pela comissão eleitoral no último dia do mandato do Conselho Geral da universidade, e, por isso, a eleição contaria com os votos de conselheiros que já estariam fora de funções efectivas. No entanto, as eleições para o Conselho Geral estão apenas marcadas para 21 de Maio.

Paulo Pereira foi o único candidato a apresentar-se à eleição desta quarta-feira.

Na corrida a estas eleições começaram por estar seis candidatos: Paulo Pereira, investigador coordenador na Faculdade de Ciências Médicas, que foi eleito reitor em Setembro; a investigadora e ex-ministra da Ciência Elvira Fortunato; João Amaro de Matos, professor da Faculdade de Economia (Nova SBE); o director da Faculdade de Ciências e Tecnologia José Júlio Alferes; a professora de Física e Astronomia na The Catholic University of America Duilia de Mello; e Pedro Maló, o professor auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nov​a, que impugnou as eleições do ano passado.

Paulo Pereira é investigador coordenador da Escola de Medicina da Universidade Nova de Lisboa, onde liderou um grupo de investigação dedicado ao estudo de doenças degenerativas da retina. Foi também vice-presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia entre 2012 e 2015.

Antes da mudança para Lisboa, dirigiu o Centro de Oftalmologia e Ciências da Visão da Universidade de Coimbra e coordenou a unidade iNOVA4Health, dedicada à investigação biomédica.