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Segundo o Irão, múltiplas detonações ocorreram nas instalações de uma refinaria na ilha iraniana de Lavan, no Golfo Pérsico

Os Emirados Árabes Unidos, que se tornaram um dos principais alvos do Irão, parecem ter decidido que era necessário envolvimento militar direto para proteger os seus interesses. “É significativo ter um país árabe do Golfo como parte beligerante que atacou o Irão diretamente”, diz uma analista.

Os Emirados Árabes Unidos realizaram ataques secretos contra o Irão durante a guerra iniciada pelos EUA e por Israel no início deste ano, de acordo com um relatório citado pelo The Independent.

Este é o primeiro caso reportado de envolvimento ativo de uma nação do Golfo no conflito, nota o jornal norte-americano.

A monarquia do Golfo tornou-se um dos principais alvos do Irão desde que este iniciou os seus ataques de retaliação em toda a região, visando estados aliados dos EUA.

Os Emirados Árabes Unidos não reconheceram publicamente os ataques, que incluíram uma ofensiva contra uma refinaria na ilha iraniana de Lavan, no Golfo Pérsico, no início de abril, por altura do anúncio de uma trégua temporária por parte de Donald Trump, noticiou na segunda-feira o The Wall Street Journal.

Os ataques indicam que EAU recorrerão à força para proteger os seus interesses económicos, depois de Teerão ter procurado danificar as suas instalações petrolíferas e de gás natural, diz o WSJ.

O Irão afirmou na altura que a refinaria da ilha de Lavan tinha sido atingida num ataque inimigo e lançou, em resposta, vários ataques com mísseis e drones contra o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos.

Os EUA acolheram favoravelmente a participação dos Emirados e de quaisquer outros estados do Golfo na guerra, disse uma fonte ao WSJ.

Os estados árabes mostraram-se em grande medida relutantes em participar na guerra com o Irão, e acreditava-se que estavam descontentes com a decisão de Washington de lançar a guerra a 28 de fevereiro, depois de se tornarem danos colaterais.

Nas semanas que antecederam os ataques norte-americanos e israelitas, os estados do Golfo pressionavam Washington a evitar a guerra, conscientes do caos que esta poderia desencadear nos mercados petrolíferos e na economia regional.

Os analistas referiram também que havia receios quanto ao impacto de uma mudança de regime em Teerão e à possibilidade de elementos ainda mais radicais chegarem ao poder.

Em fevereiro, a Arábia Saudita, o Qatar, Omã, a Turquia e o Egipto estiveram alegadamente a pressionar os EUA para recuarem nas suas ameaças e a travarem o reforço militar na região, na ânsia de evitarem tornar-se parte de uma linha da frente de um conflito que não escolheram, diz o The Independent.

Os Emirados Árabes Unidos, porém, foram menos incisivos na semana que precedeu os ataques e afastaram-se dos restantes países do Conselho Central do Golfo ao aprofundarem os laços com Israel e ao adotarem posições distintas relativamente ao Sudão e ao Iémen.

Após o início da guerra, os Emirados Árabes Unidos parecem ter decidido que o envolvimento militar era necessário.

«É significativo ter um país árabe do Golfo como parte beligerante que atacou o Irão diretamente», afirmou Dina Esfandiary, analista do Médio Oriente e autora de um livro sobre a ascensão dos Emirados Árabes Unidos.

«Teerão irá agora procurar aprofundar ainda mais a cunha entre os Emirados Árabes Unidos e os restantes países árabes do Golfo que estão a tentar mediar o fim da guerra», acrescentou Esfandiary.


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