Um analista de sistemas paranaense de 33 anos, Evandro Klimpel Balmant, decidiu transformar a internet em sala de aula prática e construiu praticamente sozinho a própria casa de dois pavimentos e 200 metros quadrados em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba. O detalhe mais chamativo da história é que ele nunca havia tido experiência em construção civil, engenharia ou arquitetura antes de pegar nas ferramentas.

A obra foi viabilizada com a ajuda de tutoriais do YouTube, conselhos de familiares engenheiras e arquitetas e o suporte pontual do pai e de um mestre de obras nas etapas que exigiam mais braços. O resultado foi uma economia estimada em R$ 150 mil em mão de obra, valor que reduziu o orçamento original da casa pela metade.

Como nasceu a ideia de construir a própria casa

Analista de sistemas de 33 anos construiu sozinho casa de 200m² com dois pavimentos em Almirante Tamandaré (PR) usando tutoriais do YouTube e economizou R$ 150 mil.

A jornada começou com um plano mais modesto. O casal, formado por Evandro e a esposa Ane, ganhou um terreno do pai dela enquanto ainda morava de aluguel em uma região barulhenta do Centro de Curitiba.

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A intenção inicial era erguer uma casa de madeira simples, que serviria de refúgio nos fins de semana. Ao colocar os custos no papel, no entanto, o casal percebeu que a opção não era tão barata quanto parecia.

“A madeira não tem bom isolamento térmico e acústico, pega fogo fácil, em 10 anos a casa já não está muito firme, a telha Eternit quebra numa chuva de granizo”, disse Balmant em entrevista à Tribuna do Paraná. A lista de desvantagens fez a dupla repensar o projeto e partir para uma construção de alvenaria definitiva.

Analista de sistemas de 33 anos construiu sozinho casa de 200m² com dois pavimentos em Almirante Tamandaré (PR) usando tutoriais do YouTube e economizou R$ 150 mil.

O primeiro orçamento da nova casa já trouxe uma surpresa desagradável. Apenas a fundação custaria R$ 12 mil em mão de obra, valor que o casal não conseguiria pagar mesmo somando os décimos terceiros dos dois.

Foi nesse ponto que Balmant tomou a decisão que mudaria toda a obra. Em vez de procurar financiamento ou adiar o projeto, o analista resolveu testar uma alternativa: aprender a fazer a fundação por conta própria, com base em vídeos do YouTube.

O experimento deu certo. “Se eu consigo fazer a fundação, consigo fazer o resto”, explicou ele. A partir dali, a obra deixou de ser conduzida por uma equipe e virou um projeto pessoal, construído nos finais de semana e nas horas vagas do trabalho como analista de sistemas.

O segredo da casa: tijolos ecológicos que se encaixam

Analista de sistemas de 33 anos construiu sozinho casa de 200m² com dois pavimentos em Almirante Tamandaré (PR) usando tutoriais do YouTube e economizou R$ 150 mil.

A escolha do material foi decisiva para tornar a obra viável para um único trabalhador sem experiência. Evandro e Ane optaram por tijolos ecológicos fabricados na própria Curitiba, feitos a partir de lixo reciclado.

O material custava um pouco mais caro do que os tijolos de argila convencionais, mas trazia uma vantagem decisiva. Os tijolos ecológicos se encaixam como peças de Lego, o que facilita o assentamento e dispensa o reboco completo das paredes.

“Se eu usasse tijolo comum, teria que rebocar, o que acabaria saindo mais caro e seria um trabalho que talvez eu não soubesse fazer sozinho”, explicou o analista à Tribuna do Paraná. O material também oferece melhor isolamento acústico e térmico, característica especialmente útil na região de Curitiba, conhecida pelos invernos rigorosos.

O que ele fez sozinho e o que precisou de ajuda

Analista de sistemas de 33 anos construiu sozinho casa de 200m² com dois pavimentos em Almirante Tamandaré (PR) usando tutoriais do YouTube e economizou R$ 150 mil.

A construção quase artesanal não significa que Balmant tenha feito tudo absolutamente sem apoio. Alguns trechos da obra exigem mais de uma pessoa e não podem ser executados em etapas, o que tornou inevitável recorrer a auxílio pontual.

A estrutura de concreto e o telhado foram feitos com a ajuda do pai do analista e de um mestre de obras. Essas etapas concentram cargas e movimentos que tornam a execução solo praticamente inviável, mesmo com toda a paciência do mundo.

Para a parte do porcelanato, já com quase toda a casa pronta, Balmant decidiu contratar um azulejista profissional. A ideia era evitar falhas grosseiras de acabamento em uma etapa que aparece muito no resultado final, justamente porque o piso fica à vista o tempo todo.

Como o YouTube virou manual de obra

O fenômeno do canal de vídeos como ferramenta de aprendizado prático não é novo, mas no caso de Balmant ele chegou a um nível raro de profundidade. O analista usou tutoriais para entender desde técnicas de fundação até detalhes de instalação elétrica e hidráulica.

O processo combinou aulas em vídeo com consultas pontuais a familiares que atuam em engenharia e arquitetura, o que ajudou a evitar erros estruturais. Esse cruzamento entre conteúdo aberto e orientação técnica especializada foi o que deu segurança ao projeto.

O caso ilustra um movimento que vinha se intensificando nos últimos anos: a popularização do “faça você mesmo” em escalas cada vez mais ambiciosas. O que antes se limitava a reparos domésticos passou a abranger, em alguns casos, projetos de grande porte como uma residência inteira.

Quanto custou no fim das contas

O orçamento original previa o pagamento integral de mão de obra para uma equipe profissional. Os números finais, no entanto, ficaram muito distantes desse cenário.

A economia chegou a R$ 150 mil apenas em mão de obra, segundo o próprio analista. Em termos percentuais, a casa saiu por cerca de metade do valor originalmente orçado quando se previa contratar todos os serviços profissionalmente.

O casal já mora na nova residência há cerca de um ano, mas alguns detalhes ainda estão pendentes. Os retoques finais no piso superior continuam aguardando por causa do orçamento apertado, prova de que mesmo com toda a economia o projeto exige planejamento financeiro contínuo.

O recado que a história deixa para quem quer fazer o mesmo

O caso ganhou repercussão justamente por colocar em xeque a ideia de que construir uma casa exige obrigatoriamente uma equipe completa de profissionais. Por outro lado, é importante destacar que a experiência de Balmant teve elementos que não estão disponíveis para todo mundo.

Ele contou com terreno próprio, com tempo para dedicar à obra em paralelo ao trabalho e com familiares formados em engenharia e arquitetura que ofereceram orientação técnica. Sem esse suporte de profissionais habilitados em segundo plano, uma obra desse porte pode trazer riscos estruturais e de segurança difíceis de identificar sem conhecimento técnico.

A escolha de tijolos modulares também simplificou consideravelmente o trabalho. Em construções convencionais, com tijolos cerâmicos e reboco, a complexidade técnica e o desgaste físico do trabalho solo aumentam de forma significativa.

A história do analista paranaense que ergueu sozinho a casa dos sonhos mostra um lado curioso da era digital: o acesso aberto a conhecimento técnico, antes restrito a cursos profissionalizantes e à prática no canteiro, abriu caminho para projetos que pareceriam improváveis algumas décadas atrás.

E você, teria coragem de encarar uma obra desse tamanho com tutoriais como guia? Acredita que esse modelo de autoconstrução vai se popularizar nos próximos anos? Conhece alguém que já fez algo parecido? Deixe seu comentário, conte sua experiência e marque um amigo que tem o sonho da casa própria.