(dr) British Divers Marine Life Rescue

Baleias mortas na Ilha Lewis

Os investigadores acreditam que os habitats onde as baleias comiam ficam muito próximos de zonas costeiras que estão cada vez mais rasas.

Foi um dos maiores incidentes do género registados no Reino Unido nas últimas décadas.

Um estudo científico veio finalmente esclarecer o que poderá ter causado a dramática morte de  55 baleias-piloto na costa da Escócia, em 2023. Houve um encalhe em massa de 56 baleias, apenas uma sobreviveu. As restantes, ou morreram naturalmente, ou tiveram de ser abatidas devido ao estado crítico em que se encontravam.

O incidente ocorreu em Julho de 2023 e mobilizou equipas de resgate marinho e veterinários.

O caso chocou especialistas e organizações ambientais, não só pela dimensão da tragédia, mas também pelo forte impacto emocional associado ao comportamento social destes mamíferos marinhos.

Um relatório anterior, publicado há apenas dois meses, concluiu que o comportamento social extremamente coeso destes cetáceos terá sido decisivo para a tragédia.

As baleias-piloto, pertencentes à família dos golfinhos, vivem em grupos altamente organizados e mantêm fortes ligações entre os indivíduos.

Segundo os investigadores, uma fêmea do grupo poderá ter enfrentado complicações durante o parto ou sofrido problemas de saúde enquanto nadava perto da costa da ilha de Lewis, na Escócia. Ao seguir esse animal debilitado, o restante grupo acabou por entrar em águas rasas e ficou encalhado.

Mas um novo estudo esclarece os movimentos e o comportamento de busca por alimento dos animais – antes da morte em massa.

Os investigadores analisaram assinaturas químicas presentes no tecido da pele das baleias, para perceber a dieta; aí estudaram os isótopos de carbono e nitrogénio. A proporção de carbono permite identificar o que as baleias comiam e em que nível do mar comiam (águas costeiras ou profundas). O nitrogénio ajuda a saber o nível da dieta na cadeia alimentar (quanta é consumida pelo animal).

Os animais estavam saudáveis. Terão comido ao longo da plataforma continental, possivelmente com muitas lulas e muitos peixes, descreve a Revista Galileu.

As baleias estavam em boas condições nutricionais no momento da morte – mas este estudo sugere que estavam com os estômagos vazios.

Isso levantou questões sobre a busca do grupo por alimento, imediatamente antes do trágico desfecho.

Os investigadores acreditam que os habitats onde as baleias comiam ficam muito próximos de zonas costeiras que estão cada vez mais rasas.

Ou seja, são riscos para estes animais: ao irem buscar alimentos nesses locais, aproximam-se de condições propícias para ficarem encalhadas.

Foi a busca por alimento que as matou.


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