12 de maio 2026 às 12:56
Investigações científicas dão conta de um rompimento da crota terrestre pela Fenda de Kafue, que faz parte de uma zona de fendas com 2.500 km de comprimento que vai da Tanzânia à Namíbia. Isto significa que pode haver um “novo limite de placa tectónica”.
A situação foi anunciada num artigo divulgado esta terça-feira na revista científica Frontiers in Earth Science.
“As fontes termais ao longo da fenda de Kafue, na Zâmbia, apresentam assinaturas isotópicas de hélio que indicam que têm uma ligação direta com o manto da Terra [camada intermédia entre a crosta terrestre e o núcleo], que se encontra entre 40 e 160 quilómetros abaixo da superfície”, explica Mike Daly, da Universidade de Oxford, um dos autores do artigo.
A comunidade científica foi atraída pela topografia que sugeria uma possível nova fenda, além dos níveis anormais geotermais. Para este efeito, os cientistas visitaram oito poços e fontes geotérmicas na Zâmbia para recolherem as amostras de gás que posteriormente analisaram.
Daly acrescenta que esta evidência científica pode ser um “indício precoce da fragmentação da África subsariana”, em comunicado da editora científica Frontiers. No entanto, alerta que o estudo se baseia em “análises de hélio de uma área na zona de Rift no sudoeste de África, que tem milhares de quilómetros de comprimento”, sendo necessários estudos mais aprofundados para mais certezas.
“A descoberta de que a Fenda de Kafue está ativa pode ter importantes consequências económicas”, indica ainda o mesmo comunicado, sublinhando que ” as fraturas em fase inicial podem fornecer energia geotérmica e acesso a hélio e hidrogénio”.
A “olho nu”, o efeito mais proeminente será a mudança de formato de África. “Muitas das características do Grande Vale do Rift do Quénia constituem razões convincentes para pensar que a África Oriental se torne, em última análise, uma importante linha de fratura continental”, revela Daly.
Os cientistas sublinham o caráter preliminar das descobertas, mas admitem que fenómenos como a Fenda de Kafue podem ajudar a compreender melhor a evolução das placas tectónicas e as possíveis transformações geológicas a longo prazo no continente africano.