Já não acontecia desde 2019, ano de Telemóveis, de Conan Osiris. Portugal não vai à final da Eurovisão. Rosa, dos Bandidos do Cante, ficou pelo caminho na semifinal que marcou o arranque da 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção. Decorreu nesta terça-feira, 12 de Maio, à noite, em Viena, Áustria, no meio de boicotes e muita contestação pela manutenção de Israel no concurso.

Dos 15 países que apresentaram canções durante a cerimónia, apresentada pela dupla de anfitriões Victoria Swarovski e Michael Ostrowski, passaram a Grécia, com Akylas e Ferto, Finlândia, com Linda Lampenius e Pete Parkkonen e Liekinheitin, Bélgica, com ESSYLA e Dancing on the ice, Moldávia, com Satoshi e Viva, Moldova!, Israel, com Noam Bettan e Michelle, Sérvia, com LAVINA e Kraj mene, Croácia, com LELEK e Andromeda, Lituânia, com Lion Ceccah e Sólo quiero más e Polónia, com ALICJA e Pray, por ordem de anúncio dos vencedores. É um rol de canções bastante eurovisivas. A finlandesa, por exemplo, une uma violinista a um cantor pop, a moldava tem rap e flautas e a sérvia é uma balada épica de uma banda de metal progressivo.

Ainda houve espaço para mostrar as canções da Itália, Per sempre sì, defendida por Sal Da Vinci, e da Alemanha, Fire, cantada por Sarah Engels. Os dois países fazem parte dos chamados “quatro grandes” da Eurovisão, que mais contribuem monetariamente para a UER, a União Europeia de Radiodifusão, a par do Reino Unido e de França. Até este ano, eram “cinco grandes”, mas Espanha ficou de fora da competição em protesto contra a inclusão de Israel — tal como o fizeram a Irlanda, a Eslovénia, os Países Baixos e a Islândia. As emissoras espanhola, irlandesa e eslovena decidiram nem sequer transmitir o concurso. Continua a ser o elefante na sala: não houve maneira de camuflar, durante a transmissão, e por muito que a organização tentasse, apupos e gritos de “não ao genocídio”, que não estão audíveis na versão posta pela UER no YouTube.

A noite arrancou com um casal a ver a Eurovisão ao longo dos anos, passando pelas décadas de 1960 até aos dias hoje, com o passar do tempo e a morte de um dos membros. Esse segmento passou para o palco, culminando em Vicky Leandros, que venceu pelo Luxemburgo em 1967, quando tinha apenas 17 anos, a cantar L’amour est bleu, o tema que lhe valeu o prémio há quase 60 anos. Houve ainda dança austríaca e uma canção cómica sobre as diferenças entre a Áustria e a Austrália. A próxima semifinal é já na quinta-feira, 14, e passa em diferido na RTP1, às 22h30. A final está marcada para sábado, 16, a partir das 20h.