Há mais de um ano, após a posse do presidente dos EUA, Donald Trump, os Estados Unidos deixaram de ser o tipo de parceiro que costumavam ser para a Ucrânia na guerra contra a Rússia. Mas agora, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky parece estar se afastando também dessa relação, distanciando seu país daquele que antes era seu maior aliado. O movimento pode ser classificado como uma separação experimental, em grande parte desencadeada pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã. As negociações de paz apoiadas pela Casa Branca para pôr fim aos combates na Ucrânia foram interrompidas desde o final de fevereiro, quando as primeiras bombas caíram em Teerã. Com as negociações agora em estado crítico, Zelensky criticou Washington publicamente de maneiras que seriam impensáveis ​​no ano passado, quando a Ucrânia travava uma luta delicada contra a pressão do governo Trump por uma paz rápida que favorecia a Rússia.

Desde o início da guerra no Irã, os negociadores americanos “não têm tempo para a Ucrânia”, reclamou Zelensky. A decisão americana de suspender as sanções a parte do petróleo russo, na esperança de aliviar as tensões econômicas decorrentes da guerra no Irã, dá ao Kremlin “uma sensação de impunidade”, protestou ele. Ao pressionar a Ucrânia a trocar território por paz, o governo Trump “ainda opta por uma estratégia de pressionar mais o lado ucraniano” do que a Rússia, reclamou.

A Ucrânia agora parece estar se preparando para uma guerra mais longa com a Rússia, que lançou a invasão em grande escala há mais de quatro anos, bem como para um futuro com menos assistência americana. As negociações de paz “estão mortas”, disse Harry Nedelcu, diretor sênior da Rasmussen Global, uma empresa europeia de consultoria política.

— Não há mais negociação real. Não há mais conversas. A Rússia não tem incentivo para isso agora. E os Estados Unidos também não estão se apresentando como um mediador confiável e razoável entre os dois lados — pontuou o especialista.