A praia de São João da Caparica “já ganhou entre 35 e 40 metros de largura desde os temporais deste inverno, reforçando a proteção costeira e reduzindo os efeitos da erosão”, segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), José Pimenta Machado. O alargamento do areal ocorreu nas últimas três semanas, após a intervenção com alimentação artificial de areia iniciada a 20 de abril. Imagens aéreas captadas por um piloto da TAP (ver foto) evidenciam a diferença entre as praias já intervencionadas e as que ainda aguardam intervenção.

Numa visita ao local, esta quarta-feira de manhã, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sublinhou que estas obras, “urgentes e de grande investimento”, são essenciais para garantir praias na época balnear. “Se não fosse esta obra de encher de areia, não iríamos ter praia”, afirmou, recordando que “foi um inverno muito mau, com tempestades no mar a destruir o nosso litoral”. “Agora vamos ter uma praia maravilhosa, como a região merece”, acrescentou, estimando que a intervenção permita manter estas zonas balneares estáveis “pelo menos cinco, seis, sete anos”.

Até ao início de junho, um troço de 3,9 quilómetros de praias no concelho de Almada receberá cerca de um milhão de metros cúbicos de areia, dragada da entrada da barra do Tejo em articulação com a Administração do Porto de Lisboa. A praia de São João já está apta para banhos, mas outras zonas continuarão condicionadas de forma faseada — em 10 faixas alternadas, ao ritmo aproximado de uma praia por semana — devido às obras de alimentação artificial de areia. O objetivo é “responder à forte erosão provocada pelas tempestades do último inverno, que levaram a um recuo entre cinco e 10 metros no areal”, explicou o presidente da APA, José Pimenta Machado, no arranque dos trabalhos.

A atual intervenção na Costa da Caparica representa um investimento de cerca de nove milhões de euros. No total, as intervenções de alimentação artificial de areia em várias praias do país envolvem 174 milhões de euros até ao final de 2028, com financiamento nacional e europeu. Deste montante, cerca de 27 milhões correspondem a obras urgentes previstas para este ano.

Imagens aéreas da praia do Garrão, em Quarteira, antes e depois das recentes intervenções no areal em 2026

D.R.

Entre as operações já concluídas destaca-se a alimentação das praias entre Quarteira e o Garrão, no concelho de Loulé, promovida pela APA Algarve, que decorreu entre 4 de abril e 4 de maio. Também está finalizada a intervenção de emergência na praia de Moledo, no Norte, com um investimento de cerca de 180 mil euros. Em curso está ainda a estabilização da arriba da Praia do Algodio, em Mafra, num investimento próximo de um milhão de euros, com o objetivo de reduzir o risco de instabilidade e reforçar a segurança de acessos e edificações no topo da falésia.

Abertura progressiva da época balnear

A época balnear arrancou a 1 de maio em Cascais e em algumas praias da Madeira, devendo começar a 15 de maio em Albufeira. Na maioria das praias do Tejo, Oeste e sul do país, a abertura está prevista para 1 de junho, enquanto no Norte e Centro ocorre sobretudo a 13 de junho, segundo dados da APA.

Em vésperas da abertura, as praias do Inatel e dos Pescadores, em Albufeira, foram interditadas a banhos pela APA. A decisão foi anunciada a 12 de maio, na sequência de uma descarga de águas residuais provocada por uma rutura numa conduta da estação elevatória no fim de semana. O município adiantou que a empresa Águas do Algarve já reparou a avaria e sublinhou a necessidade de reabilitação urgente das infraestruturas de saneamento, alertando para a crescente frequência deste tipo de ocorrências.

Questionada sobre situações semelhantes noutros municípios, a ministra do Ambiente desvalorizou o episódio como falha estrutural, classificando-o como um incidente pontual: “O que aconteceu foi uma avaria que rapidamente foi reparada”. Ainda assim, garantiu que a reabertura só ocorrerá quando estiverem reunidas todas as condições de segurança.

A governante reconheceu, no entanto, que o problema está ligado à antiguidade das infraestruturas. “O grande investimento no saneamento data de há 30 anos”, lembrou, defendendo que o Governo está a avançar com novos projetos, embora admita que “reinvestir demora três a quatro anos”. Só no Algarve, estão previstos investimentos de cerca de mil milhões de euros.

Em 2026 estão identificadas 671 águas balneares em Portugal — 512 costeiras ou de transição e 159 interiores — menos uma do que no ano passado. O balanço inclui quatro saídas, duas estreias (Santo André, na Póvoa de Varzim, e Cerejal, em Góis) e três novas entradas, entre as quais o Ilhéu de Vila Franca do Campo (Açores), cuja classificação passou de “má” para “aceitável”.

Entre as razões para a exclusão de algumas zonas da lista deste ano contam-se a erosão costeira, destruição de acessos, instabilidade de arribas, danos em infraestruturas, ausência de banhistas e problemas de qualidade da água, nomeadamente associados a cianobactérias ou outros focos de poluição, indica a APA. As situações mais críticas registaram-se no Centro, no litoral Oeste e em algumas praias interiores.