O ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi o entrevistado desta noite do programa “Grande Entrevista”.

Questionado sobre os casos de tortura e violações na esquadra do Rato, em Lisboa, Luís Neves admite que houve “um conjunto de elementos que falharam” e que “não devia ter acontecido”.

O ministro fala numa “cultura de violência” e admite que a vigilância interna pode ter falhado, uma vez que não foi um caso isolado.

Luís Neves descreve o caso como “perturbador, preocupante e sério” mas não considera que seja “o maior falhanço do Estado dos últimos anos”.


“É um momento muito desafiante porque todos temos a obrigação de aprender com os erros. Temos de tirar ensinamentos para o futuro e situações destas não podem voltar a acontecer”, asseverou.

O ministro defende que se deve ser “muito firme e intolerante” com estes atos e considera que “andamos demasiado tempo numa esfera de impunidade”. “O silêncio é sempre mau”, defendeu.

Encerramento de esquadras


O ministro da Administração Interna anunciou que o Governo deverá avançar com o encerramento de esquadras da PSP em Lisboa e Porto, explicando que esta é uma forma de colocar mais polícias nas ruas.

“Estamos a pensar em reorganizar estruturas de esquadras em algumas zonas urbanas, designadamente na zona de Lisboa”, disse o ministro, referindo que o objetivo é ter “menos esquadras para se ter mais gente [polícias] na rua e junto das pessoas”.

O ministro explicou que uma esquadra exige no mínimo quase 30 pessoas, mas recusou a criação de “super esquadras”.

“Posso garantir aos lisboetas e portuenses que o fecho de uma esquadra vai levar a que sintam mais presença dos polícias na rua”, salientou.


Sobre a questão da criminalidade, Luís Neves garantiu que existe segurança em Lisboa e no Porto, recorrendo aos números do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) para sustentar que a criminalidade violenta diminuiu.

“Portugal não é um país inseguro”, disse. “Os números nunca mentem e os números mostram que há menos crimes”, acrescentou.


O ministro da Administração Interna explica, no entanto, que existe uma ideia de insegurança em algumas franjas da sociedade “que não é real”.