O míssil nuclear intercontinental RS-28 Sarmat, apelidado de “Satanás II” pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), é descrito pela mídia russa como capaz de devastar uma área do tamanho do Texas ou da França, embora especialistas ocidentais vejam exagero nessas alegações.
Testado pela última vez nesta terça-feira, o equipamento foi descrito pelo presidente russo, Vladimir Putin, como “o mais poderoso míssil do mundo”. Em comentários televisionados, ele disse que seu rendimento era mais de quatro vezes maior do que o de qualquer equivalente ocidental e que seu alcance ultrapassa 35 mil km, o que corresponde a mais de três vezes o diâmetro da Terra.
“Ele tem a capacidade de penetrar em todos os sistemas de defesa antimísseis existentes e futuros”, afirmou Putin.
Analistas de segurança ocidentais, ouvidos pela Reuters, afirmam que o presidente russo faz alegações exageradas sobre as capacidades de algumas das novas armas nucleares do país. O RS-28 Sarmat integra uma série de mísseis apresentados por Putin em 2018 como “invisíveis” e faz parte da estratégia da Rússia de renovar seu arsenal nuclear estratégico, reforçando sua capacidade de dissuasão diante do aumento das tensões com a Otan e os Estados Unidos.
Teste do míssil RS-28 Sarmat, chamado de Satanás 2 pela Otan — Foto: Reprodução
De acordo com uma reportagem da agência Sputnik, próxima ao Kremlin, o míssil RS-28 Sarmat — capaz de atingir velocidades de até Mach 12 (14.700 km/h) — poderia levar uma carga útil suficiente para devastar uma área do tamanho do Texas ou da França.
Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos afirmou que o míssil tem capacidade de transportar ao menos dez ogivas nucleares.
De acordo com a Reuters, o “Satanás II” é 37,5 vezes mais destrutivo do que as bombas atômicas utilizadas pelos Estados Unidos para atingir as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki no fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Teste de lançamento do míssil balístico intercontinental russo RS-28 Sarmat — Foto: Ministério da Defesa da Rússia/Divulgação via REUTERS
Segundo Putin, o míssil deve entrar em ação até o fim deste ano. A entrada em operação vem sendo adiada desde o fim da década passada, quando a expectativa era que a arma estivesse ativa entre 2018 e 2020, segundo a Aliança de Defesa de Mísseis (MDAA, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos de apoio ao desenvolvimento e implantação de sistemas de defesa antimíssil.
Veja a ficha técnica do míssil:
Míssil RS-28 Sarmat
Um dos testes pode ter dado errado
Sergei Karakayev, comandante das forças de mísseis estratégicos da Rússia, disse que o teste bem-sucedido desta terça marcava a etapa final antes da entrada do equipamento em serviço. Apesar do êxito, um dos testes anteriores, que não foi relatado pelo país, pode ter dado errado.
A Rússia diz que testou o míssil em 2018 e 2022, mas, de acordo com especialistas ocidentais ouvidos pela Reuters, é possível que outro teste tenha sido realizado em setembro de 2024, quando o míssil teria falhado e deixado uma cratera profunda no silo de lançamento.
Na época, imagens capturadas pela empresa de tecnologia espacial Maxar Technologies, em 21 de setembro de 2024, mostraram uma cratera com cerca de 60 metros de largura no silo de lançamento do Cosmódromo de Plesetsk, no norte da Rússia.
*Estagiário sob supervisão de Diogo Max