A advogada brasileira Francismara Machado pediu asilo político a Portugal e conseguiu suspender a extradição para o Brasil, onde foi condenada a 25 anos de prisão por encomendar a morte do marido, Mateus Campos.
Mais. Na sequência disso, revela O Globo, conseguiu sair em liberdade – ao que tudo indica com pulseira eletrónica – e voltar à casa onde vivia há vários anos, na cidade da Maia, na Área Metropolitana do Porto, com a filha e o atual companheiro.
Francismara Machado, de 50 anos, imigrou para Portugal em 2022. Três anos depois, no dia 26 de agosto de 2025, foi detida enquanto estava de férias no Alentejo.
Tudo indicava que a brasileira ia ser extraditada para o Brasil, onde tinha sido condenada a 25 anos de prisão – 15 dias antes de ser detida em Portugal -, por ter mandado matar o marido, Mateus Pereira Campos.
No entanto, o atual companheiro da advogada fez um pedido de asilo em março deste ano à AIMA, antes do Tribunal Constitucional autorizar a extradição, e este foi aceite.
O argumento é que Francismara e a família estavam a receber ameaças de morte do outro lado do Atlântico.
Ao Correio da Manhã, o advogado da brasileira, Miguel Teixeira, explicou que o processo de extradição tem prazos para serem cumpridos e que, “neste caso, seria a 13 de maio”. No entanto, “a D. Francismara resolveu fazer um pedido de proteção internacional à AIMA, pedido que foi feito antes da decisão de extradição e acaba por suspender o processo”.
“Uma vez que nesta fase não existem medidas de coação – os prazos também não iam ser cumpridos – e o facto de ainda se poder recorrer após a decisão da AIMA levou o tribunal a libertá-la”, adiantou o mesmo ao matutino, realçando que a advogada encontra-se “medicada” e vai aguardar “serenamente” pela decisão do recurso do julgamento por homicídio, do qual ainda tem esperança de ser “absolvida”.
Ainda segundo este jornal, antes de ser libertada da cadeia de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, onde cumpria pena de prisão preventiva, Francismara fez greve de fome.
Vive em condomínio de luxo e fazia bolos por encomenda
Na altura da detenção, O Globo contou que Francismara Machado tinha sido capturada pela Polícia Judiciária (PJ) portuguesa, com o apoio da Guardia Civil espanhola e da Polícia Federal brasileira, por meio da Interpol.
A criminosa vivia num condomínio de luxo na Maia, distrito do Porto, desde que tinha saído do Brasil.
Após a localização da advogada, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) solicitou ao tribunal a emissão da ordem de captura internacional e a manifestação de interesse na extradição.
Já o Jornal de Notícias revelou na altura que a advogada, apesar de viver no Porto, legalmente, com título de residência válido, foi detida em Moura, no Alentejo, onde estava de férias com familiares.
Segundo a publicação portuguesa a mulher vivia agora “discretamente”, da “produção de bolos caseiros”.
O crime
No dia 28 de setembro de 2019, o carro de Mateus foi encontrado incendiado, numa estrada de Campestre da Serra. Nessa altura, o motorista de TVDE foi dado como desaparecido e as investigações pelo seu paradeiro iniciadas.
Às autoridades, num primeiro momento, Fracismara terá dito que tinha sido vítima de um assalto, junto com o marido. Mas os investigadores descartaram logo a versão apresentada.
Duas semanas depois, o corpo de Mateus foi encontrado parcialmente enterrado numa mata, com as mãos amarradas, marcas de tortura e dois disparos de arma de fogo.
Franciscamara Machado acabou acusada de ser a mandante do crime e Fabiano Vieira dos Santos, conhecido por ‘Gato’, o executante.
As condenações
Ambos foram condenados no dia 14 de agosto de 2025. A advogada, mulher da vítima, que estava dada como foragida no dia em que a sentença foi lida, a 25 anos de cadeia, Fabiano a mais quatro. ‘Gato’, que já tinha antecedentes por furtos e roubos, foi condenado a 29 anos de prisão.
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