É uma colaboração insólita que está a surpreender o mundo da relojoaria: a marca de luxo Audemars Piguet uniu-se à democrática Swatch. Assim nasceu o Royal Pop, um novo relógio de bolso, que se inspira em dois modelos icónicos de ambas as marcas, o Royal Oak da Audemars Piguet e o Swatch Pop. São oito versões, que podem ser usadas de várias formas e equipadas com um novo movimento Swatch. Chega ao mercado português neste sábado, 16 de Maio, mas só é possível comprar “um relógio por pessoa, por dia e por loja”, avisa a marca.

O aviso pode parecer estranho, mas a Swatch estará a prever um fenómeno semelhante ao que teve com o MoonSwatch, a colaboração com a Omega, lançada em 2022. O relógio, inspirado pelo Moonwatch original da Omega (aquele que foi usada na missão Apollo 11 em 1969), custava 265 euros quando foi lançado e hoje, em plataformas de revenda, chega a ultrapassar os 700 euros.

Desde então, a Swatch já colaborou com a Blancpain também com um relógio automático de Bioceramic (material desenvolvido pela Swatch), com base no icónico Fifty Fathoms, o primeiro relógio de mergulho de 1953.

Mas o que torna tão peculiar esta parceria é o facto de ser a primeira que a Swatch faz além do seu grupo, já que tanto a Omega, como a Blancpain, são propriedade do Grupo Swatch, que detém 16 marcas, incluindo a Longines, a Breguet ou a Tissot.




Royal Pop em Blaue acht
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Além disso, a colaboração também é surpreendente por se tratar de um relógio de bolso, a cair em desuso desde o início do século XX — a Breguet diz ter criado o primeiro relógio de pulso em 1810 para a rainha Caroline Murat de Nápoles, embora a Patek Philippe detenha o recorde do Guinness do primeiro relógio de pulso suíço em 1868.

O Royal Pop cruza algumas das características mais emblemáticas do Royal Oak, que foi lançado em 1972 com uma caixa octogonal, e o Swatch Pop, da década de 1980, que celebra a ligação da Swatch à pop art. Apesar de ser assumidamente um relógio de bolso, traz um cordão em pele, que permite ser usado de várias formas: ao pescoço, no pulso ou preso numa mala. Traz, ainda, um suporte amovível para se transformar no relógio de secretária.




O Royal Pop também tem inspiração da pop art
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Um novo movimento

Os oito modelos (em cores como azul, amarelo, rosa ou verde) são equipados com o novo calibre SISTEM51, que é de corda manual e a Swatch anuncia como o “único movimento mecânico swiss-made no mundo cuja montagem é 100% automatizada”. Ou seja, não é montado à mão em manufactura como é habitual nos movimentos da alta relojoaria.

Nas características técnicas do relógio, cujo movimento é visível na caixa de vidro de safira, destacam-se as 90 horas de reserva de marcha, a mola do balanço Nivachron, desenvolvida pela Audemars Piguet, e o desenho do tambor. Este último também indica a reserva de marcha que resta no relógio, explica a Swatch em comunicado. “Quando as câmaras do tambor estão cinzentas, revelam as espirais da mola principal. Isto significa que é necessário dar corda ao relógio”. Já quando “a cor é dourada”, a mola está comprimida, o que quer dizer que o relógio tem a corda total.




Royal Pop em Huit Blanc
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O Royal Pop divide-se em duas versões: o Lépine com a coroa posicionada nas 12 horas e uma versão simplificada com dois ponteiros revistados com super-luminova, que permite ver as horas no escuro (385 euros); e o Savonnette com a coroa às três horas e ainda um ponteiro dos segundos (400 euros). Por comparação, o Royal Oak da Audemars Piguet pode custar dezenas de milhares de euros.

Do design da caixa em biocerâmica, destaca-se a luneta octogonal arredonda com os oito parafusos hexagonais, que mimetizam os elementos decorativos do Royal Oak, tal como o efeito Tapisserie no mostrador — um xadrez discreto monocromático. No fundo da caixa traseira, o vidro de safira tem uma impressão digital na mesma tonalidade do relógio.

Apesar de não ser uma edição limitada, o Royal Pop só vai estar disponível em lojas seleccionadas, que, em Portugal, são a do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, e o NorteShopping, em Matosinhos.