“Anuncio a minha demissão do cargo de primeira-ministra”, anunciou Evika Silina numa conferência de imprensa realizada hoje em Riga.
A crise política teve início com as falhas na proteção do espaço aéreo decorrentes da explosão de um drone ucraniano no país, o que já tinha levado Evika Silina a solicitar a demissão do seu ministro da Defesa.
Os dois drones ucranianos, aparentemente sob influência eletrónica russa, desviaram-se da rota no fim de semana passado e entraram no espaço aéreo letão, onde provocaram uma explosão ao colidirem com um tanque de petróleo vazio em Rezekne, a 60 quilómetros da fronteira russa.
O partido de Silina, o Nova Unidade, culpou o então ministro da Defesa, o social-democrata Andris Spruds, pela falha na interceção dos drones e forçou a sua demissão, enquanto o partido Progressistas, ao qual pertence o agora ex-ministro da Defesa, denunciou a primeira-ministra por não os ter informado da sua intenção de o afastar e por politizar uma questão militar, desacreditando as Forças Armadas.
Face à exigência da primeira-ministra, o copresidente do partido Progressistas, Andris Suvajevs, pediu a demissão de Evika Silina.
“Ou Evika Silina anuncia a sua demissão ou o Saeima [parlamento] põe fim a tudo isto com uma moção de desconfiança”, disse à imprensa.
Suvajevs, candidato às eleições legislativas de outubro, considerou ainda que a primeira-ministra “derrubou o próprio Governo” e tornou-se “incapaz de governar”, instando o Presidente letão, Edgars Rinkevics, a preparar consultas com os vários partidos para a nomeação de um novo primeiro-ministro.
Entretanto, o outro parceiro da coligação afirmou que o Governo entrou “efetivamente em colapso”, como declarou o seu líder, Harijs Rokpelnis, e apelou também ao início de negociações para a formação de uma nova maioria parlamentar.
Com a retirada do apoio dos parceiros do Nova Unidade, a coligação governamental – no poder desde 2023 – perdeu na quarta-feira a sua maioria no parlamento unicameral da Letónia.
O Presidente da Letónia tinha marcado para sexta-feira uma reunião marcada com todos os grupos representados no parlamento da Letónia para tratar da atual crise política.
[Notícia atualizada às 10h33]
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