O presidente do Chega comentou, na noite desta terça-feira, a reforma laboral, ameaçando chumbar a proposta que será levada pelo Governo ao Parlamento. André Ventura revelou, em entrevista na antena da CNN Portugal, que há duas condições para que o partido apoie as alterações que o Governo pretende fazer ao Código do Trabalho – a descida da idade da reforma e o aumento dos dias de férias.

Questionado sobre o porquê de o Chega estar focado na redução da idade da reforma agora, Ventura respondeu: “Porque o Governo não disse que ia fazer uma reforma laboral e a quis fazer. O Governo nunca disse durante as eleições que queria fazer uma reforma laboral, porque talvez soubesse que não se deve fazer uma reforma laboral contra quem trabalha”.

Em jeito de recado, o líder do Chega deixou sugestões ao Governo. “Se quer fazer uma reforma nestes termos eu aconselho a ter em conta e a dar algum benefício a quem trabalha. O benefício qual pode ser? Já que não podemos aumentar os salários por decreto, então vamos dar-lhes dois outros benefícios: um é descer a idade das reformas e o outro é as férias”, sublinha.

“Eu não quero saber de onde é que a proposta vem, eu quero que seja boa para quem trabalha, para quem se esforça – não quero saber se é do Bloco [de Esquerda], do PCP, podem-me chamar o que quiserem, bloquista, socialista, liberal, fascista, o que quiserem”, atirou.

Ventura procedeu depois para enumerar exemplos de países com mais dias de férias do que Portugal. “No Reino Unido há 28 dias de férias, na Dinamarca 25, na Áustria 25 a 30 e em Malta 24. Porque é que os portugueses têm menos férias do que os outros?”, questionou.

Sobre se o Chega está pronto para, quando chegar a altura, chumbar mesmo esta proposta, o presidente do partido recordou que “foi o Chega que derrubou este Governo, não precisa de desculpas para votar nada”, aludindo à rejeição da moção de confiança que levou à queda do Governo em março de 2025.

Recorde-se de que as negociações sobre a reforma laboral terminaram na passada quinta-feira, 7 de maio, sem um entendimento entre o Governo e os parceiros sociais.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, acusou a UGT de ter sido intransigente e de não ter cedido “em nenhum ponto” e a central sindical liderada por Mário Mourão acusou o Executivo de ter minado a confiança nas negociações com um “constante avanço e recuo” nas suas propostas. O Governo pretende agora levar a iniciativa ao Parlamento.

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