O Ministério da Saúde confirmou na última semana que o Brasil atingiu a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas contra o vírus sincicial respiratório (VSR) com a vacina Abrysvo, desenvolvida pela Pfizer e disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

O marco ocorre em meio ao aumento da circulação de vírus respiratórios durante o outono e a aproximação do inverno. A imunização materno-fetal tem como objetivo proteger os bebês desde o nascimento contra o VSR, principal causa da bronquiolite em crianças pequenas.

A vacina foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e passou a ser ofertada pelo SUS em dezembro de 2025. A recomendação do Ministério da Saúde prevê dose única a partir da 28ª semana de gestação, permitindo que o bebê nasça com anticorpos contra o vírus.

“Alcançar a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas representa um passo importante para ampliar a proteção dos bebês brasileiros e o acesso à imunização no país. Temos orgulho de contribuir com uma solução inovadora, com potencial de gerar impacto positivo tanto para as famílias quanto para o sistema de saúde, ao prevenir cerca de 28 mil internações por ano, de acordo com o Ministério da Saúde”, afirmou a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro.

Internações e mortes caíram

Dados do Ministério da Saúde apontam que, até 18 de abril de 2026, as internações de crianças menores de dois anos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associada ao VSR caíram 52% em comparação com o mesmo período de 2023. O número de casos passou de 6,8 mil para 3,2 mil.

Os óbitos também apresentaram redução de 63%, passando de 72 para 27 mortes no período analisado.

Além da oferta no SUS para gestantes, a vacina também está disponível em clínicas privadas desde setembro de 2024 para grávidas entre 24 e 36 semanas de gestação, conforme aprovação regulatória no Brasil, além de pessoas com mais de 60 anos e adultos de 18 a 59 anos com alto risco de desenvolver formas graves da doença.

Segundo a Pfizer, atualmente o imunizante é o único aprovado no Brasil para proteger os três grupos considerados mais vulneráveis às infecções pelo VSR: idosos, bebês — por meio da vacinação materna — e pessoas de 18 a 59 anos com alto risco para doença grave.

VSR segue como principal causa de bronquiolite

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20 mil bebês menores de um ano são internados anualmente por bronquiolite no Brasil. Em 2025, o país registrou 42.450 infecções por VSR. Desse total, 34.988 ocorreram em crianças menores de dois anos e 3.620 em crianças de dois a quatro anos. Aproximadamente 35 mil crianças precisaram de hospitalização, incluindo 10 mil internações em unidades de terapia intensiva (UTI).

Ainda segundo os dados epidemiológicos, o VSR foi responsável por 39% dos diagnósticos positivos para vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil em 2025.

Nos menores de dois anos, o vírus é responsável por até 40% das pneumonias e 75% dos casos de bronquiolite, doença que provoca inflamação das vias respiratórias e pode evoluir para quadros graves com necessidade de internação.

Globalmente, o VSR é uma das principais causas de morte em bebês. Estimativas apontam que o vírus esteja relacionado a 66 mil a 199 mil mortes anuais de crianças menores de cinco anos em todo o mundo.

Estudos apontam eficácia da vacina

A aprovação da vacina no Brasil foi baseada em estudos clínicos de fase 3 que demonstraram segurança e eficácia do imunizante. Segundo a Pfizer, a vacina preveniu 82,4% das formas graves de doenças respiratórias causadas pelo VSR em bebês de até três meses de idade. Entre crianças de até seis meses, a eficácia ficou em 70%.

Mais de 7 mil gestantes participaram do estudo em 18 centros de pesquisa no mundo, incluindo quatro unidades no Brasil, duas no Rio Grande do Sul, uma em Santa Catarina e uma no interior de São Paulo.

“Quando a gestante é vacinada, os anticorpos produzidos atravessam a placenta e ajudam a proteger o bebê, cujo sistema imunológico ainda está em desenvolvimento”, explicou Adriana Ribeiro.

A diretora médica da Pfizer também destacou que o desenvolvimento de vacinas para gestantes é considerado prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS), por contribuir para a redução da mortalidade infantil e aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde.