BRASÍLIA – A importância de uma delação de Daniel Vorcaro perde cada vez mais força diante das mais recentes fases da Operação Compliance Zero, que miraram o senador Ciro Nogueira (PP-PI), na semana passada, e o pai do banqueiro, nesta quinta-feira (14/5).
Elas evidenciam que os investigadores têm novas e robustas provas contra os suspeitos. Os responsáveis pela apuração também já vinham mostrando insatisfação com a falta de informações novas de Vorcaro sobre as fraudes envolvendo o seu Banco Master.
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A ausência de fatos novos é justamente um dos termos que impedem a formalização da delação premiada de Vorcaro que, após ser aceita pela Polícia Federal (PF), precisa ser validada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os investigadores apontam que os anexos entregues por Vorcaro, que incluem documentos, apenas confirmam dados que a PF já obteve de forma independente por meio das fases anteriores da Operação Compliance Zero.
Tanto os integrantes da PF quanto os procuradores federais que acompanham o caso desconfiam de que o banqueiro tenta poupar políticos de alto escalão e magistrados, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PGR não abre mão de devolução de valores, para compensar os prejuízos causados pelas fraudes do Master, estimados em R$ 50 bilhões. A defesa de Vorcaro sugeriu a devolução parcelada de R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos, o que teria sido rejeitado pela PGR.
Sem a colaboração de Vorcaro, a PF já trabalha com a hipótese de encerrar o inquérito sem a delação. Os investigadores pediram o retorno do banqueiro para o regime fechado em penitenciária comum. A decisão cabe ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Por outro lado, há a possibilidade que, com a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, nesta quinta-feira, ele entregue uma delação que atinja grandes figuras da República, além de empresários, com provas substanciais.
O empresário Henrique Vorcaro é acusado de ceder contas bancárias para ocultar recursos do filho e evitar bloqueios judiciais.
Vorcaro não falou sobre Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro
Já Ciro Nogueira, alvo de mandados de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (7/5), era o “destinatário central” das vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, segundo a PF.
O senador, que foi ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL) e é presidente do PP, recebia mesadas de até R$ 500 mil de Vorcaro, além de ter contas pagas pelo banqueiro, como forma de compensação para atuar pelos interesses dele no congresso Nacional, de acordo com a PF.
Ciro Nogueira é autor da emenda constitucional que aumenta o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto foi escrito pela assessoria do Master e entregue a Ciro em um envelope, de acordo com a investigação.
As acusações que pesam contra Ciro Nogueira foram omitidas por Vorcaro em sua proposta de delação entre à PF. Assim como os pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o financiamento de um filme sobre a vida do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Diálogos de Flávio com Vorcaro foram revelados na quarta-feira (13/5) pelo site “The Intercept”. Em um primeiro momento, Flávio negou que tivesse conversado com o banqueiro, mas, com a divulgação dos áudios, ele voltou atrás e confirmou o pedido de dinheiro para a produção. Minimizou, sob alegação de ser um “patrocínio privado”.
Segundo o “The Intercept”, Vorcaro pagou R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro, de acordo com o site, foi transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.