Milhares de peregrinos rumaram a Fátima para as celebrações de 12 e 13 de maio, mas para Rute Caleiro esta caminhada teve um significado ainda mais profundo.

Movida pela fé e pelo amor ao filho, a mãe cumpriu a promessa que fez há oito anos: ir a pé até ao Santuário de Fátima se Gonçalo sobrevivesse.

Acompanhada pela emoção dos últimos quilómetros da peregrinação, Rute não conteve as lágrimas ao aproximar-se da meta. “Estamos quase a chegar ao final desta etapa, é muita emoção”, confessou. À sua espera no Santuário estavam o marido, Vasco Cordeiro, e o pequeno Gonçalo, num reencontro marcado pela emoção. “Consegui pelo Gonçalo, pela força dele, mas sempre acreditei”, afirmou ainda a mãe.

O momento deixou Cristina Ferreira emocionada, que não escondeu as lágrimas de emoção: «Estou destruída com isto»

Já Rute, que nunca tinha feito uma peregrinação, garante que chegou a Fátima em paz. “Estou em paz e agradecida eternamente”, declarou, emocionada, depois de cumprir os 262 quilómetros percorridos desde Penedo Gordo.

Gonçalo tem atualmente oito anos e continua sem um diagnóstico fechado, embora tudo indique que sofra de uma paralisia cerebral grave. O menino não anda, não fala e alimenta-se através de uma sonda no estômago.

A história da família é marcada por anos de luta. Depois de uma primeira gravidez interrompida às sete semanas, Rute voltou a engravidar em 2017. Gonçalo nasceu às 38 semanas, após uma cesariana de urgência, e ficou internado durante cinco meses numa incubadora com oxigénio.

Durante esse período delicado, o menino deixou de respirar por três vezes. O medo foi constante e chegou mesmo a haver quem antecipasse o pior. Em 2020, Gonçalo voltou a estar entre a vida e a morte após uma paragem cardiorrespiratória, tendo sido reanimado. Desde então, dorme com a ajuda de um ventilador.

Apesar das dificuldades, os pais nunca desistiram. Gonçalo faz fisioterapia, terapia da fala, hipoterapia e terapia ocupacional, além de terapias intensivas em Guimarães várias vezes por ano. Vasco deixou inclusivamente de trabalhar para se tornar cuidador informal do filho.

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