Recorda-se do Power Loader, o exosqueleto robótico usado nos filmes da saga Aliens? O GD01 lançado pela Unitree tem semelhanças óbvias com o robô que Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver, usava para combater os monstros extraterrestres.

A Unitree é, sem dúvida, um dos nomes que mais tem contribuído para o dinamismo da indústria robótica nos últimos anos. Depois de surpreender o mercado com os pequenos e ágeis robôs quadrúpedes e, mais recentemente, com humanóides capazes de dançar com grande agilidade, a tecnológica chinesa decidiu mudar de escala. O GD01 é uma estrutura humanóide de proporções colossais que permite a um piloto humano comandar as operações a partir de uma cabina instalada no interior do “peito” da máquina.

Embora os pormenores técnicos ainda não tenham sido divulgados, o GD01 apresenta uma arquitectura que privilegia a força e a presença física, distanciando-se dos modelos mais pequenos e domésticos a que a marca nos habituou. Tem cerca de 3,8 metros de altura, o que o coloca numa categoria muito restrita de máquinas. Até agora, este tipo de engenharia estava quase exclusivamente limitado a projectos experimentais no Japão, como o Archax da Tsubame Industries, que chegou ao mercado com um preço próximo dos três milhões euros. Bem diferente dos cerca de 600 mil euros pedidos pela Unitree para o GD01.

O objectivo parece ser demonstrar a maturidade dos actuadores e dos sistemas de equilíbrio da Unitree, agora aplicados a uma massa muito superior e que exige uma gestão de energia e de binário significativamente mais complexa.

O futuro da interacção humana

A grande diferença deste modelo para os robôs autónomos controlados por inteligência artificial é a presença de um lugar para o condutor. Esta abordagem de “exosqueleto gigante” permite que a intuição humana e a capacidade de tomada de decisão em tempo real sejam combinadas com a força bruta e a resistência do metal. Na demonstração em vídeo, é possível observar os movimentos dos braços e das pernas a serem coordenados com uma fluidez notável para um objecto deste tamanho.

A Unitree ainda não confirmou se este modelo entrará em produção em série imediata ou se servirá apenas como uma plataforma de desenvolvimento e demonstração tecnológica. Contudo, o facto de o protótipo estar funcional e apresentar um acabamento tão cuidado sugere que a empresa tem planos ambiciosos para o sector dos grandes equipamentos. Seja para fins de entretenimento, para operações em ambientes perigosos ou apenas como um símbolo de prestígio tecnológico, o GD01 prova que os limites da robótica estão a ser empurrados para patamares que, até há pouco tempo, julgávamos reservados apenas ao cinema.