O Boletim InfoGripe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), publicado nesta quinta-feira (14), revelou crescimento de casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em crianças menores de 2 anos. O aumento foi observado em todas as unidades federativas de todo o território nacional, impulsionado por maior circulação do VSR (vírus sincicial respiratório). As demais faixas etárias permaneceram com número estável de internações.

O boletim aponta para crescimento nas hospitalizações por influenza A em todos os estados da Região Sul e em alguns estados do Norte (RO e TO) e do Sudeste (SP e ES). No período analisado, 51,8% dos casos de óbitos têm relação com a doença, acometendo sobretudo os idosos.

Apesar da baixa incidência dos casos de SRAG por Covid-19 em todas as faixas etárias, o vírus continua sendo a segunda causa de mortalidade entre os idosos.

O rinovírus, patógeno altamente contagioso e principal causador de casos de infecções respiratórias, também tem contribuído para o aumento de casos de SRAG no país. Apenas em 2026, 36,1% dos casos tinham alguma relação com o vírus, cujas complicações são observadas em crianças pequenas, com maior risco de mortalidade.

Dados epidemiológicos indicam aumento de SRAG por vírus respiratório

Em 2026, já foram notificados 57.585 casos de SRAG, sendo 45,7% com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, e 47,1% ainda aguardam confirmação.

O boletim verificou que 15 das 27 capitais apresentaram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Os sinais de crescimento a longo prazo foram sinalizados para as cidades de Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Maceió (AL), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).

Alerta de risco por incidência de SRAG no território brasileiro • Infogripe/FiocruzAlerta de risco por incidência de SRAG no território brasileiro • Infogripe/Fiocruz
Especialistas alertam que a vacinação é o principal meio de prevenção da síndrome

A vacinação é apontada por especialistas como principal profilaxia para as doenças causadas por VSR. Eles ressaltam que é importante que, principalmente grupos de risco, como idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades, sejam prioridade e se atentem à atualização das doses de vacinas para doenças como Influenza e Covid-19.

“A vacina anual contra a influenza é destinada aos grupos prioritários, como idosos, gestantes, pessoas com comorbidades e crianças de até 6 anos”, Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz. “Existem anticorpos monoclonais contra o VSR disponíveis de graça no SUS, que podem ser aplicados em crianças prematuras ou menores de dois anos com comorbidades”, complementa.