Os family offices (anglicismo para empresas que gerem investimentos e património de famílias ricas) de Espanha descobriram o potencial do imobiliário comercial português. O interesse é recente. “Há cerca de ano e meio que se começou a sentir um apetite muito grande no país e, em particular, na região Norte” dos gestores de fortunas espanholas, revela Cristina Almeida, diretora do escritório do Porto da JLL.
Escusando-se no sigilo profissional, Cristina Almeida não revela nomes de entidades, mas sublinha que os segmentos mais procurados são hotelaria e retalho. Segundo a responsável, estes investidores veem “capacidade de valorização e ativos de boa qualidade” no país. Em Espanha, o imobiliário “está muito maduro e aquecido”, justifica.
No Norte, os espanhóis são a segunda nacionalidade que mais investe em imobiliário. O top 3 é liderado pela França e fecha com os EUA. A dinâmica da região é comprovada pelo valor do investimento. No ano passado, metade dos 2800 milhões de euros investidos em imobiliário comercial português (escritórios, hotéis, lojas, e outros ativos não residenciais) tiveram como destino o Norte. Desse valor, 67% chegou de fora, 29% foi aplicado por nacionais e 4% teve origem desconhecida. Dos cinco principais negócios concretizados em 2025, quatro foram na região, sublinha.