Investigadores alertam para as consequências do esperado regresso do poderoso fenómeno de aquecimento El Niño. Esta é uma fase de um ciclo natural no Oceano Pacífico, que geralmente começa na primavera e afeta gradualmente as temperaturas, os ventos e o clima em todo o resto do globo nos meses seguintes.
A Organização Meteorológica Mundial alertou, embora ainda existam algumas incertezas, que o regresso do El Niño é cada vez mais provável de maio a julho, enquanto o fenómeno oposto, La Niña, diminui. Isto agravaria o aquecimento contínuo provocado pelas atividades humanas.
“A probabilidade de incêndios extremos e perigosos pode ser potencialmente a mais elevada da história recente se se desenvolver um El Niño forte”, afirmou Theodore Keeping, académico da universidade britânica Imperial College London, citado pela Agência Lusa.
Friederike Otto, outro investigador do Imperial College, sublinhou ainda que o desenvolvimento de um El Niño forte este ano, combinado com a tendência para as alterações climáticas, resultaria em “extremos climáticos sem precedentes”.
O fenómeno pode tornar “as condições muito quentes e secas mais prováveis na Austrália, no noroeste dos Estados Unidos e no Canadá, e na floresta amazónica”, explicou ainda Theodore Keeping.
“Sabemos que os incêndios extremos estão a aumentar com as alterações climáticas, tanto em termos de emissões como dos seus impactos, tal como os mega incêndios”, acrescentou o especialista.
Os últimos dois anos foram os mais quentes de que há registo e, em 2026, a temperatura deve subir ainda mais, refere a TVI numa peça dedicada a “uma anomalia climática” que está a caminho. A referência é ao El Niño, que, com a temperatura das águas do oceano Pacífico a subir, vai mexer com o clima do mundo inteiro.
O responsável da Previsão Climática da ONU, Wilfran Moufouma Okia, disse em conferência de imprensa: “Em pouco tempo, observaremos a intensidade deste El Niño, que pode atacar em força no verão no hemisfério norte. Mais ondas de calor e mais fortes, também vento e chuva intensa, que podem provocar inundações e fenómenos extremos com maior dimensão do que aquela a que já vamos estando habituados a ver e a sentir.”
A mesma reportagem refere que, desta vez, espera-se que o El Niño seja o segundo mais forte de que há registo. O primeiro super El Niño aconteceu há 150 anos, no qual morreram dezenas de milhares de pessoas.
Porém, e mesmo com as previsões da Agência do Clima das Nações Unidas, nem todos os cientistas são tão pessimistas na previsão de catástrofes, como refere a peça da TVI, sublinhando que os modelos de previsão não são perfeitos.
Em África e na Europa, em especial na Península Ibérica, os fenómenos climáticos tendem a agravar-se, com inundações, mas também ondas de calor e secas extremas em algumas zonas, intercaladas com incêndios.
A mesma peça da TVI refere que três meses depois do “comboio de tempestades” na zona centro do país, ainda há locais neste estado. Se houver um super El Niño, 2026 pode ser um dos piores anos de sempre no que diz respeito a área ardida.