A parceria anunciada em junho de 2024, que integrou o ChatGPT no iOS, está a desmoronar-se. Isto levou a OpenAI a acusar a Apple de nunca ter feito um esforço real para promover a tecnologia, e o tema promete complicar-se ainda mais com a chegada do iOS 27 e a abertura da Siri a outros…
A relação entre a Apple e a OpenAI, apresentada ao mundo há menos de dois anos como uma das grandes parcerias estratégicas da indústria tecnológica, está em rutura. Segundo a Bloomberg, os advogados da OpenAI trabalham já com um escritório jurídico externo numa série de opções legais que poderão ser acionadas em breve. Entre as opções em cima da mesa está o envio de uma notificação formal à Apple por alegado incumprimento contratual, sem que isso implique necessariamente a ida a tribunal.
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A génese do conflito está na forma como a Apple implementou a integração do ChatGPT no iOS. A OpenAI esperava que a parceria se tornasse num motor de crescimento de subscritores pagos e numa porta de entrada para centenas de milhões de utilizadores de iPhone. Mas nada disso aconteceu. A integração ficou enterrada nos menus do sistema, obrigando os utilizadores a invocar explicitamente a palavra “ChatGPT” para obter respostas através da Siri, e apresenta resultados mais limitados do que a aplicação da empresa.
Tecnologia do ChatGPT deverá mesmo integrar produtos da Apple. Já há acordo
Quem garante é o site The Information. Sam Altman terá conseguido um acordo com a Apple para integrar a tecnologia…
“Fizemos tudo o que era esperado do ponto de vista do produto”, afirmou um executivo da OpenAI à Bloomberg. “A Apple não fez e, pior, nem sequer fez um esforço honesto.” A Apple tinha, por seu lado, as suas próprias reservas desde o início. Preocupações com a privacidade dos utilizadores pesavam internamente, mas a empresa acabou por avançar com o acordo por uma razão simples, o facto de as suas próprias funcionalidades de IA generativa não estarem prontas.
O momento acabou por ser embaraçoso para a empresa de Cupertino. Recorde-se que no início de maio a empresa chegou a um acordo de 250 milhões de dólares num processo de uma ação coletiva por publicidade enganosa. Este processo está relacionado às funcionalidades de Siri anunciadas em 2024, onde algumas das quais ainda não chegaram ao mercado. O timing complica-se ainda mais com o que está prestes a chegar.
A empresa de Cupertino chegou a acordo numa ação coletiva que alega ter iludido os compradores do iPhone 15 Pro e iPhone 16 com promessas de funcionalidades de inteligência artificial que nunca chegaram a estar disponíveis, e que quase dois anos depois continuam por chegar.
No iOS 27, que deverá ser apresentado a 8 de junho na WWDC, a Apple vai abrir a Siri a múltiplos fornecedores de IA em simultâneo, através de um sistema chamado Extensions. O Claude da Anthropic e o Gemini da Google estão já em fase de testes de integração. A OpenAI reconhece que a abertura do ecossistema até pode beneficiar o ChatGPT, já que o novo selector de modelos de IA na interface de pesquisa coloca todos os serviços em pé de igualdade.
Mas a crescente tensão entre as duas empresas pode estar relacionada também com o facto de a OpenAI poder tornar-se, brevemente, num potencial concorrente da Apple. Falamos nos tão aguardados gadgets da OpenAI, que estão a ser desenvolvidos por Jony Ive, o ex-director de design da Apple. Neste projeto estão vários ex-executivos de hardware da Apple que abandonaram a empresa atraídos por pacotes salariais muito superiores.
OpenAI
O misterioso gadget da dona do ChatGPT afinal pode ser um smartphone
Depois de meses de especulação em torno de um dispositivo de IA desenhado por Jony Ive, surge agora a indicação de que a OpenAI poderá estar a desenvolver um smartphone com agente de IA integrado. Mas não espere por um lançamento antes de 2028.
A Apple, segundo a Bloomberg, está furiosa com este recrutamento sistemático dos seus talentos de engenharia de hardware. Qualquer ação legal da OpenAI deverá aguardar o desfecho do processo que a empresa enfrenta com Elon Musk. Nenhuma decisão final foi tomada, e a empresa ainda espera resolver a situação sem recorrer aos tribunais. Mas o que era uma parceria apresentada como histórica está, neste momento, a um passo de se tornar um litígio na mesma proporção.
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