Taiwan foi o tema mais sensível da visita de Donald Trump a Pequim, com o presidente chinês Xi Jinping a reafirmar que a ilha está no “núcleo dos interesses da China”.

Numa cimeira marcada pelo protocolo e elogios, Xi advertiu Trump de que as diferenças em torno da ilha autogovernada reclamada por Pequim como parte do seu território, poderiam levar os Estados Unidos e a China a choques ou conflitos.

“A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-norte-americanas. Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou Xi, utilizando um termo em mandarim que não significa necessariamente conflito militar.

Entretanto, o líder da Casa Branca respondeu nas redes sociais que o presidente chinês “referiu elegantemente os Estados Unidos como talvez uma nação em declínio”, mas que se referia ao período da administração Biden.

Já numa entrevista televisiva gravada pouco antes de deixar Pequim, Trump deixou um recado às autoridades de Taiwan: “Não queremos que alguém diga: ‘Vamos declarar a independência porque os Estados Unidos nos apoiam'”.

“Não quero que alguém declare a independência e, sabe, depois tenhamos de viajar 15 mil quilómetros para entrar em guerra”, disse o presidente norte-americano, de acordo com um excerto transmitido esta sexta-feira pela Fox News.

Na viagem de regresso aos Estados Unidos, Trump admitiu também que ainda não tinha tomado qualquer decisão sobre a venda de armas ao governo da ilha, mas que Xi lhe afirmou ser contrário à independência de Taiwan.

“Ouvi-o. Não fiz qualquer comentário… Não me comprometi com nada”, disse Trump, acrescentando que decidirá em breve sobre uma venda de armas pendente a Taiwan, depois de falar com “a pessoa que está agora… a governar Taiwan”.

Não ficou claro se Trump se referia ao presidente de Taiwan, Lai Ching-te.