Os presidentes das 15 maiores empresas cotadas em bolsa, em Portugal, encaixaram 23,4 milhões de euros em 2025, uma média que é 53 vezes superior ao que recebem os seus trabalhadores.
Uma desigualdade de 53 para 1
Enquanto o salário bruto médio mensal em Portugal rondava os 1611 euros no primeiro trimestre de 2026, os líderes das maiores empresas nacionais, cujos dados são reportados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), auferiram, em conjunto, mais de 23 milhões de euros ao longo de 2025.
Isto coloca o rácio entre o topo e a base em 53 para 1, uma disparidade que levanta questões sobre a equidade interna das grandes organizações portuguesas.
O caso mais emblemático é o de Pedro Soares dos Santos, presidente executivo da Jerónimo Martins. Segundo o Jornal de Notícias, que elaborou uma infografia sobre o tema, o gestor terá recebido cinco milhões de euros brutos em 2025.
A Sonae, a EDP, a Galp e o BCP são outras das empresas cujos diretores-executivos integram este grupo de 15 líderes com remunerações reportadas ao regulador.
Quanto ganham os presidentes das maiores empresas portuguesas. Crédito: Jornal de Negócios
A publicação dos dados de remuneração dos seus diretores-executivos pelas empresas cotadas é um exercício de transparência imposto pelo CMVM, que permite comparações e, inevitavelmente, debate.
As grandes empresas argumentam que as remunerações dos seus líderes refletem responsabilidades de gestão de escala global, exposição ao risco e competição por talento executivo num mercado internacional.
Os críticos, por sua vez, apontam que o modelo de distribuição de valor nas grandes empresas portuguesas tem beneficiado sistematicamente o topo em detrimento da base.
Salários sobem, mas continuam entre os mais baixos da Europa
Entretanto, esta sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou dados que mostram que a remuneração bruta mensal média por trabalhador cresceu 5% no primeiro trimestre de 2026 face a igual período do ano anterior, atingindo os 1611 euros. Em termos reais, considerando a inflação, a subida foi de 2,7%, segundo o INE.
Este crescimento representa um sinal de melhoria real do poder de compra, num contexto em que a inflação tem vindo a moderar.
Os maiores incrementos verificaram-se em setores como a agricultura, floresta e pesca, em empresas com 10 a 19 trabalhadores, no setor privado e nas empresas de alta tecnologia industrial.
No entanto, os 4,8 milhões de postos de trabalho analisados pelo INE, que correspondem a beneficiários da Segurança Social e a subscritores da Caixa Geral de Aposentações, colocam Portugal numa posição desfavorável no mapa europeu.
Afinal, os salários portugueses continuam entre os mais baixos da Europa Ocidental, um constrangimento estrutural que persiste apesar dos ganhos recentes.


